Episódios do podcast

#162 - Cissexismo

“Nome social não vai na lápide”, diz mulher trans que combate o cissexismo

Cissexismo é a crença de que o gênero de pessoas cisgênero é de alguma forma mais legítima que aquela de pessoas transexuais. Isso se manifesta de várias formas, como por exemplo na exigência de que pessoas trans tenham que se submeter a um longo processo patologizador para ganharem do governo o reconhecimento de sua identidade que pessoas cis já têm garantido de nascença. Neon Cunha, a convidada dessa semana, é uma mulher trans que entrou com uma ação exigindo que o governo lhe garanta sua identidade de gênero sem que ela tenha que submeter-se a anos de laudos médicos e a um tortuoso processo jurídico – caso isso não seja possível, pede a morte assistida. “Eu acho incrível que eu tenha que ser patologizada para conseguir ter alguma dignidade”, espanta-se. Ela aponta vários dos preconceitos que pessoas trans têm que enfrentar cotidianamente: “você enfrenta muita rejeição social, e o tempo todo se leva não. Há pessoas trans extremamente qualificadas que não conseguem trabalho por não terem seu nome social reconhecido”. Ela anseia por leis que garantam os direitos das pessoas transgênero, mas acredita que, se a constituição fosse seguida corretamente, não haveria polêmica quanto a suas exigências: “a gente tem um projeto de lei de identidade de gênero que sequer avança, porque ninguém quer dar visibilidade para o assunto. Mas o artigo quinto da constituição já é bem claro: somos todos iguais”. E para aqueles que consideram seu pedido de morte assistida um exagero, aponta que a imensa maioria das pessoas trans acaba morrendo de forma violenta no Brasil. “Quero ter pelo menos a garantia de que quem me ama vai estar comigo quando eu morrer. Nome social não vai na lápide.”

Participe da discussão! Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 comentários

Julie

“Cissexismo é a crença de que a sexualidade de pessoas cisgênero é de alguma forma mais legítima que aquela de pessoas transexuais.” seria a crença que seu GÊNERO é mais legítimo, sua vivência é mais legítima.

Responder
Marcus Martins

Esse programa foi uma aula. Foi tão bom que já escutei 2 vezes e olha que ele saiu ontem. Parabéns pela participação da Neon Cunha, que esclareceu de forma palatável várias discussões e o Lado Bi por sempre conseguir trazer convidadas maravilhosas.

Responder