Copa da Rússia - bola e troféu

Copa da Rússia: demonstrações de afeto entre torcedores gays são um risco, alertam ativistas

Organização também luta para coibir gritos de guerra homofóbicos durante a Copa do Mundo

por Marcio Caparica

O sorteio da tabela da Copa do Mundo vai acontecer amanhã – daí pra frente, até a conclusão do campeonato no dia 15 de julho, o futebol e a Rússia serão alguns dos principais assuntos ao redor do globo. O grupo britânico Fare, dedicado a promover a igualdade de orientação sexual e de etnia no futebol, já lançou o alerta para torcedores gays com passagens compradas para a Copa: evitem andar de mãos dadas, ou qualquer outra demonstração de afeto em público, enquanto estiverem na Rússia.

Não é proibido ser homossexual na Rússia, mas existe uma lei no país que proíbe discutir a homossexualidade nas escolas (para não “ensinar” as crianças a serem gays ou lésbicas), e a homofobia é algo considerado algo quase aceitável entre a população. Ativistas LGBTs russos avaliam que o número de ataques homofóbicos e transfóbicos no país dobrou desde que essa lei foi sancionada, em 2013.

Piara Powar, diretor-executivo da Fare, considera que torcedores gays não devem deixar de ir à Copa, mas não podem relaxar quando estiverem lá. “Nosso guia deixa claro que homossexuais devem tomar cuidado em qualquer local que não seja explicitamente amigável a LGBTs. O mesmo vale para torcedores negros ou de outras minorias étnicas. Pode ser perigoso para dois torcedores gays andarem de mãos dadas na rua, dependendo da cidade em que estão e da hora.”

(Não muito diferente do que acontece no Brasil, vamos ser sinceros.)

“A lei que proíbe a ‘propaganda gay’ para menores no país faz com que as questões relacionadas à comunidade LGBT desapareçam do discurso público”, continua Powar. “Gays encontram-se em uma posição bastante clandestina na Rússia.”

A Fare está representando dois grupos de torcedores LGBTs, do Reino Unido e da Alemanha, junto à Fifa para obter permissão para que a bandeira do arco-íris seja estendida dentro dos estádios durante os jogos. A organização proíbe manifestações políticas durante partidas, mas os ativistas argumentam que esse gesto não deve ser compreendido como equiavalente a movimentos partidários, e portanto deve ser permitido.

Outra demanda da Fare é que a Fifa crie regras específicas para coibir insultos homofóbicos das torcidas durante a Copa. O grupo batalha para que gritos de guerra como o famoso “VIAAAAAADOOOOO” dos brasileiros ou o “PUTO” dos mexicanos rendam multas pesadas para as federações dos países que representam essas torcidas, que por consequência veriam-se obrigadas a educar seus torcedores. Com isso os jogos da Copa tornariam-se ambientes mais civilizados e acolhedores para os muitos torcedores LGBTs que não sentem-se seguros para frequentar os estádios.

Em outubro a CBF já foi multada em cerca de R$ 33 mil por causa do comportamento homofóbico da torcida brasileira durante uma partida do Brasil contra o Equador realizada em agosto. Outras seis federações também foram punidas na época pela mesma razão: Argentina foi condenada a pagar 65 mil francos suíços (R$ 213 mil), o Panamá recebeu multa de 50 mil francos suíços (R$ 164 mil), o Chile de 35 mil francos suíços (R$ 114 mil), Hungria e Equador de 20 mil francos suíços (R$ 65 mil) cada, e o México de 10 mil francos suíços (R$ 33 mil). A gente acha é pouco.

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