Menage a trois threesome relacionamento aberto

9 conselhos para quem quer abrir o relacionamento

Autor de guia sobre poliamor compartilha o que aprendeu depois de 10 anos de relacionamento aberto

por Marcio Caparica

“Um relacionamento monogâmico cria aquela fissura, você fica o tempo todo pensando em sair com outras pessoas. Depois que eu passei a viver um relacionamento aberto, isso acabou. Vivo uma vida muito mais serena.” Quem afirma isso é Alexandre Venancio, autor do livro Poliamor & relacionamento aberto: guia ilustrado para dominar a arte da sexualidade plural (Panda Books). Extremamente informativo e lúdico, o livro mostra a realidade dos casais que se permitem o envolvimento sexual e afetivo com outras pessoas, e orienta aqueles que querem se enveredar por esse caminho.

Confira a entrevista completa com Alexandre Venancio sobre relacionamentos abertos e poliamor

Poliamor & Relacionamento Aberto, Alexandre Venancio

Poliamor & Relacionamento Aberto (Panda Books)

“Por muito tempo eu fazia como tantos: entrava num relacionamento monogâmico e depois de um tempo traía o parceiro”, confessa Venancio. “Depois que percebi que esse não era o modelo para mim, decidi que só teria relacionamentos abertos. Achei que não encontraria um parceiro nunca mais.” Hoje, comemora que estava errado: seu namoro já dura 10 anos. “É um relacionamento que dura porque eu o amo, e porque tenho liberdade.” Em entrevista para o podcast do LADO BI, Venancio ofereceu alguns conselhos baseados em suas experiências poliamorosas.

  1. O ciúme é só vaidade. “As pessoas sempre me perguntam como eu lido com o ciúme”, diz Venancio. Para ele, a solução para a ciumeira é compreender que isso é algo que cada um tem que resolver em si, independente do(s) parceiro(s). “Quando compreendi que esse sentimento vem da própria insegurança e tratei disso, ele acabou. Não apenas o ciúme do parceiro amoroso, mas também ciúmes com relação a amigos e até familiares.” Vale aquela máxima de que não conseguimos controlar o que os outros fazem e sentem – apenas como nós lidamos com isso.
  2. Relacionamento aberto e poliamor são coisas diferentes. “Abrir o relacionamento é permitir que se tenha outros parceiros sexuais sem envolvimento afetivo”, explica Venancio. “Poliamor é abrir-se à possibilidade do envolvimento emocional também.” O autor acredita que o primeiro é uma meta mais fácil de se alcançar – não é tão difícil separar sexo de sentimento. Compreender que pode-se amar várias pessoas em graus diferentes é mais complexo – mas por outro lado permite que aqueles que preferem que a transa tenha um elemento afetivo possam expandir seus horizontes.
  3. Abrir o relacionamento não vai salvá-lo. “Muitas vezes o casal já não tem mais interesse um pelo outro, mas não quer se separar. Daí pensa que permitir a entrada de outras pessoas em suas vidas vai salvar a relação”, descreve Venancio. “Não vai. Os problemas continuam ali.” O autor recomenda que casais façam exatamente o oposto: considerem abrir seu relacionamento quando a relação está indo muito bem, e a cumplicidade entre os dois está alta. Assim será mais fácil fazer os ajustes exigidos por esse novo tipo de envolvimento.
  4. Homens têm mais facilidade em abrir o relacionamento. “Nós, homens cis, usufruímos de vários privilégios”, aponta Venancio. “Crescemos em uma sociedade que nos permite uma maior liberdade afetiva e sexual. Por isso os gays têm mais facilidade para abrir os relacionamentos: é uma situação que envolve duas pessoas que usufruem dos mesmos privilégios.” A maneira como as mulheres são educadas e as expectativas que a sociedade ainda impõe sobre seu comportamento tornam mais difícil para elas embarcar nessa empreitada.
  5. O machismo ainda influencia a maneira como se abre o relacionamento. “Em eventos de trocas de casais, é muito comum que as mulheres fiquem juntas – é algo até esperado”, descreve Venancio. Já a experimentação sexual entre dois homens não é vista com bons olhos. “É comum que até as esposas sintam-se incomodadas com a possibilidade do marido ficar com outro cara, apesar de experimentarem com mulheres. Há casas que não permitem o envolvimento entre homens, algo bem antiquado mesmo.”
  6. Pode começar aos poucos. “Voyeurismo é uma boa maneira de se começar a abrir o relacionamento”, indica Venancio. Há muita gente nas festas de trocas de casais que vai só para olhar, sem qualquer objeção dos outros presentes. Quem ficar mais à vontade pode experimentar tocar ou beijar. “Não precisa fazer tudo de uma vez, pelo contrário: é bom respeitar o tempo de cada um.”
  7. As regras vão mudar com o tempo. “Quando eu e meu namorado começamos, nós tínhamos muitas regrinhas sobre quem podia fazer o quê e quando”, lembra o escritor. “Em menos de um ano percebemos que isso só atrapalhava”. Estabelecer acordos sobre como será o relacionamento aberto pode ser muito importante para que se estabeleça a confiança necessária, principalmente no começo. Mas é muito natural que essas regras sejam deixadas de lado conforme todos os envolvidos vão se sentindo mais seguros. Até voltar a fechar o relacionamento depois é uma possibilidade. O importante é manter a comunicação sempre aberta.
  8. Abrir o relacionamento diminui preconceitos. “Como eu vivo num relacionamento aberto, tenho a oportunidade de conviver com pessoas das mais variadas”, conta Venancio. “Já me envolvi com pessoas de várias situações sociais, raças e histórias. Isso fez com que eu reconsiderasse várias dos meus pontos de vista.”
  9. Relacionamentos abertos no armário são mais comuns do que você imagina. “Eu mesmo escondia que tinha um relacionamento aberto”, Venancio admite. “Quem olha pra mim não imagina que vivo um relacionamento poliamoroso. Minha família só foi descobrir isso quando viu o livro na noite de lançamento.” Existem muitos casais que têm acordos que permitem envolvimentos com outras pessoas, desde que mantenha-se a fachada mais socialmente aceitável do casal monogâmico – sejam esses casais heterossexuais ou homossexuais. Fazem isso para poupar-se do desgaste e do julgamento que as parcelas conservadoras da sociedade lançam sobre a vida alheia. Assim como a patrulha imposta a LGBTs, essa reação tende a perder a força quanto mais gente mostrar como funcionam seus relacionamentos. “Agora que, por conta do livro, sou aberto quanto a isso, sinto um prazer enorme em levantar essa bandeira”, comemora.

Foto: Guillermo A. Passache

Apoie o Lado Bi!

Este é um site independente, e contribuições como a sua tornam nossa existência possível!

Doação única

Doação mensal:

Participe da discussão! Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 comentários

douglas

o que acho mais CURIOSO é que em nhuma materia seja em revistsa gays ou hetero sobre relacionamento abertos, NINGUEM fala sobre DSTS.

Responder
Marcio Caparica

Esse blog fala de DSTs aos montes. E, de qualquer maneira, ter relacionamento aberto ou fechado não altera o risco de DSTs. Usar preservativo evita DSTs. Muita gente já pegou DST porque pensava que estava num relacionamento monogâmico, mas o parceiro pulou a cerca e não teve o bom-senso de usar camisinha.

Responder
Leonardo

Artigo excelente, é bem assim msm que as coisas funcionam. Tenho um relacionamento de 5 anos, aberto há 2, que vai mto bem, obrigado rs. Nunca estivemos tão unidos e tão certos de que queremos um ao outro por tempo indetermidado. Estamos “no armário” ainda pra família e pessoas do convívio, exatamente pelo motivo que foi mencionado no artigo, mas nossos amigos mais próximos sabem da situação e vejo que isso desperta mta curiosidade. Estamos sempre abertos a doutrinar interessados em como fazer isso funcionar bem.

Responder