Alemanha finalmente legaliza o casamento homoafetivo

Angela Merkel votou contra: “para mim, o casamento é entre um homem e uma mulher”

por Marcio Caparica

Hoje, às vésperas do recesso do parlamento alemão, foi aprovado um projeto de lei que legaliza o casamento homoafetivo na Alemanha. A medida contou com 393 votos a favor, 296 votos contra e 4 abstenções. A lei vai estender todos os direitos do casamento a casais homoafetivos, inclusive o de adotar filhos. Até então, na Alemanha, homossexuais contavam apenas com uniões civis para garantir alguns de seus direitos.

Depois de passar doze anos atravancando qualquer projeto de casamento homoafetivo na Alemanha, a chanceler Angela Merkel declarou na última segunda-feira (26) que havia reconsiderado suas posições com relação à questão e que os membros de seu partido, a União Democrática Cristã (CDU) poderiam votar de acordo com suas consciências, sem a obrigação de seguir as linhas do partido.

Foi o sinal que faltava; na terça-feira, membros de um partido da coalizão de Merkel, o SPD, apresentou o projeto em plenário. A medida avançou a passos largos e foi aprovada hoje pela manhã, meros quatro dias depois. O código legal alemão será alterado para: “o casamento é um compromisso vitalício entre duas pessoas de sexos diferentes ou do mesmo sexo”. A lei entrará em efeito provavelmente até o final do ano.

A manobra é vista por muitos como uma maneira de Merkel remover obstáculos das próximas eleições, que acontecerão em setembro. A maioria dos partidos que participam da coalizão que mantém a chanceler no poder haviam imposto como condição para manter sua aliança com o CDU que a questão do casamento homoafetivo fosse colocada em votação em até 100 dias do novo mandato. Ao se adiantar e resolver a questão antes da eleição, Merkel destruiu uma das armas que seus opositores pretendiam usar contra ela.

O voto de Merkel contradiz uma suposta mudança de ponto de vista que ela havia anunciado na segunda-feira, em entrevista ao vivo dada à revista Brigitte. A chanceler explicou que sempre havia se oposto ao casamento homoafetivo por “se preocupar com o bem-estar das crianças criadas por um casal homossexual”. Mas havia mudado de opinião ao conversar com um casal de lésbicas, residentes em seu distrito, que cuida de oito crianças abandonadas há vários anos – e todas passam muito bem, obrigado. “Foi uma experiência que mudou minha vida”, relatou a líder. Mas não o suficiente para ela votar a favor do casamento homoafetivo, aparentemente.

Markus Ulrich, membro da Federação Gay e Lésbica da Alemanha, afirma que Merkel por muito tempo havia feito oposição ao casamento homoafetivo “de uma maneira emocional, sem argumentos verdadeiros. É muito bom que ela dedicou algum tempo para compreender melhor a realidade das famílias e casais homoafetivos para entender a situação. Nós achamos que isso é muito bom e, mesmo se isso aconteceu apenas por motivos eleitorais, não faz diferença”.

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2 comentários

Claudio

Merkel não fez mais do que sua obrigação, embora oportunista e por isso não mereceria meu voto.

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