Diferentes e superpoderosos: “Power Rangers” apresenta ranger lésbica e ranger autista

Na dianteira da inclusão, o novo filme dos Power Rangers se propõe a mostrar que todos podem ser heróis

por Marcio Caparica

Desde a década de 1990 as crianças se espelham nos Power Rangers, um grupo de heróis coloridos e superpoderosos, inspirados por seriados japoneses como ChangemanFlashman. Cada pirralho é capaz de se identificar com pelo menos um dos protagonistas, de acordo com a personalidade (e a cor) que acha que melhor lhe representa. O novo filme Power Rangers, que chega essa semana aos cinemas, amplia as possibilidades de identificação entre os pequenos e seus heróis apresentando, entre seus protagonistas, uma ranger lésbica e um ranger no espectro autista.

No começo da semana o diretor do filme, Dean Israelite, revelou ao site The Hollywood Reporter  que Trini (interpretada por Becky G), a Ranger Amarela, está aprendendo a lidar com sua sexualidade durante a trama do filme. Na segunda metade da história, um personagem supõe que ela está tendo “problemas com o namorado”, para logo em seguida compreender que, na verdade, ela está tendo “problemas com a namorada”. “Trini realmente se questiona bastante quanto a quem é”, explicou. “Ela ainda não sabe lidar muito bem com isso. Acho que essa cena é ótima, e o que ela lança para o resto do filme, é a mensagem de que ‘não há problema’. O filme afirma ‘tá tudo bem’, e que todas as crianças podem ter orgulho de como são e encontrar sua própria tribo.”

Na mesma linha, RJ Cyler, ator que interpreta o Ranger Azul, contou para o site Screen Rant que seu personagem está no espectro autista. “Eu sabia que minha missão era mostrar que pessoas que estão no espectro autista são pessoas como todas as outras, liberalmente. Eles sentem da mesma forma, têm as mesmas emoções, querem ser amados, querem amar pessoas, querem relacionamentos”, afirma. “Eu fiquei muito feliz de interpretar esse personagem, porque eu sei que ele vai ter um significado muito grande para muitas pessoas.”

Trini, a Ranger Amarela, é a primeira super-heroína do cinema a ser abertamente LGBT. Apesar de aos poucos estarem cada vez mais presentes em animações e seriados, personagens LGBT estão gritantemente ausentes nos blockbusters de super-heróis produzidos pela Marvel e pela DC Comics.

David Yost, ator que interpretava o Ranger Azul na série dos anos 1990, comemorou a novidade. Durante a época em que trabalhou na série, ele foi constantemente atacado por especulações quanto a sua sexualidade. Ele declarou-se gay depois de ter parado de trabalhar nos Power Rangers da TV. “Fico muito feliz que os produtores e o diretor tenham cumprido seu papel e mostraram-se dispostos a representar a comunidade LGBT”, ele declarou ao site TooFab. “Acho que fizeram uma boa escolha, faz sentido que Trini esteja questionando sua sexualidade e passando por toda aquela angústia adolescente. Não vejo a hora de conferir como a personagem vai se desenvolver ao longo das sequências desse filme.”

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5 comentários

Márcia Mozer

Estava louca para levar meu filho ao cinema para assistir. Agora não sei o faço. Não acho legal!!!

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Ana ligia fontes

Pensei o mesmo. Se o filho dela não é autista e nao convive com crianças autistas, é importante iniciar esse contato para mostrar que existem pessoas diferentes dele – nem melhor, nem pior, só diferente – e que o mundo é mais agradável qdo aprendemos a respeitar as condições dos outros. Com certeza se eu os visse no cinema, não teria receio de me sentar ao lado deles e tocar minha vida.

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