13 dicas para sair do armário da melhor maneira possível

Contar para amigos e familiares que é LGBT é um momento delicado. Confira algumas maneiras de tornar esse processo mais tranquilo

por Marcio Caparica

Todos nós nascemos sob a suposição de que seremos heterossexuais e cisgênero. Isso faz com que a parcela da população que percebe não se encaixar nesse molde (a tal da heteronormatividade) tenha que, em algum ponto da vida, delinear para a sociedade que sua identidade sexual e/ou de gênero é diferente daquela considerada padrão: o momento de sair do armário.

Até a nem tanto tempo assim declarar-se homossexual ou transgênero era algo inconcebível, e a maioria das pessoas LGBT eram forçadas a viver vidas duplas ou eram marginalizadas. Hoje, felizmente, a situação melhorou bastante; no entanto, contar para a família e amigos que se é homossexual ou trans ainda é um momento tenso e difícil para a maioria. Alguns conselhos para tornar a situação menos espinhosa sempre vêm a calhar, não é?

Flavia Adura é uma life coach especializada em auxiliar lésbicas a alcançarem seus objetivos de vida. Fundadora da Buttlerfly Coaching, ela considera que viver abertamente sua sexualidade e identidade de gênero é essencial para que se tenha êxito profissional e pessoal. Grande parte de seu trabalho com suas clientes, afirma, é auxiliá-las no processo de sair do armário e, depois, aceitarem-se como realmente são. Confira a seguir alguns conselhos que ela dá para quem está prestes a tomar esse importante passo em sua vida, não importa a idade.

  1. Prepare-se fazendo uma lista de prós e contras. Pense em tudo que pode acontecer de bom e de ruim quando você contar para as pessoas sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero. Ao lado de cada item, escreva o que você pode fazer para lidar com essas situações. “Ter um plano de ação tanto para as coisas positivas como para as negativas ajuda a reduzir a ansiedade”, ensina Adura.
  2. Conte para os amigos mais próximos primeiro. Até porque, muito provavelmente, eles já perceberam que você é LGBT e estão apenas esperando você contar. Os amigos do coração costumam reagir melhor, e podem servir de apoio em momentos posteriores quando você contar para a família.
  3. Não peça para que outras pessoas contem para sua família em seu lugar. Sim, é necessário coragem para encarar a família, mas é melhor que você mesme conte. Isso pode evitar muita mágoa, e mostra para todos como isso é importante.
  4. Evite sair do armário em datas especiais. Ceias de Natal, festas de Ano Novo e aniversários nunca são boas ocasiões para anunciar que se é LGBT. “É quase certo que sua declaração vai estragar a festa”, alerta Adura. “As outras pessoas vão acabar ficando ressentidas por você ter arruinado o evento.”
  5. Escolha um momento tranquilo em que vocês não serão interrompidos.  Pela manhã, quando estão todos prestes a saírem de casa, por exemplo, não é uma boa ideia. “O ideal é que você tenha tempo para conversar com calma, tirar dúvidas, escutar o que a outra pessoa tem a dizer, sem que a conversa tenha que ser interrompida por causa de algum compromisso”, explica Adura. Lembre-se de desligar o celular antes de iniciar a conversa!
  6. Não demore muito para contar para todas as pessoas relevantes. Você não precisa contar para todo mundo imediatamente, mas é melhor não esperar muito para sair do armário de vez. Quando se conta apenas para a mãe mas não para o pai, por exemplo, você pode acabar jogando sua mãe “no armário” junto com você até que ele seja informado. A intenção é não ter que fingir mais. Evite colocar as pessoas na situação de terem que mentir e fingir para manterem seu segredo.
  7. Prepare-se financeiramente. “Muitos jovens tomam a decisão de se assumirem mas não se preparam financeiramente”, lamenta Adura. Isso permite que suas famílias, se quiserem, decidam isolá-los de todas suas relações, na tentativa de “corrigi-los”: cortem seu acesso à internet, a telefone, aos amigos. “A pessoa então passa por esse momento sozinha, e acaba tendo que recuar”, continua. Não é necessário acumular muito dinheiro, mas é necessário ter o suficiente para se sustentar por algum tempo. Procure amigos que possam ajudar você a viver de maneira independente. Provavelmente seu nível de conforto vai cair um pouco, mas esse é um preço que vale pagar para se viver com integridade.
  8. Saiba o que você vai falar. Tente não fazer muitos rodeios. Informe com certeza e clareza sobre sua identidade sexual e/ou de gênero. “Não diga ‘eu acho que sou gay’, isso pode abrir caminho para negociações que no fundo têm a intenção de colocar você de volta no armário”, avisa Adura.
  9. Faça o possível para manter seu equilíbrio emocional. Essa não é a hora de fazer acusações nem provocar escândalos. “A maneira como você se comporta nesse momento vai ditar a reação da pessoa com quem você está falando”, afirma Durante. Quando se anuncia que é LGBT cheio de tristeza e lamentações, os outros vão interpretar da mesma forma. Tente mostrar que você não vê sua identidade de gênero ou orientação sexual como tragédia, muito pelo contrário. Esse é um momento carregado de emoção: é normal que todos os envolvidos chorem. Isso, porém, não significa que a cena precisa se tornar um dramalhão.
  10. Não recue. “As pessoas vão tentar pressionar quem está saindo do armário para que ela volte atrás”, lamenta Adura. Muitas vezes pais e amigos vão tentar convencer quem está se declarando homossexual ou trans de que isso é apenas uma fase, e que mais tarde tudo “voltará ao normal”. É importante resistir e não ceder a essa pressão. “Voltar atrás depois de se declarar significa apenas que você vai ter que sair do armário novamente mais tarde”, lembra a coach.
  11. Entenda que, por algum tempo, tudo vai girar em torno da sua saída do armário. Isso acontece principalmente com pais e outros membros da família mais próxima. “É um período difícil, mas ele passa”, lembra Adura. Por algumas semanas você vai ser o centro das atenções, mas logo isso chega ao fim. Segure as pontas e busque estar com pessoas que não veem você como o “problema da vez”.
  12. Dê algum tempo para que os outros se acostumem com a ideia. Lembre-se que você também levou algum tempo para processar sua sexualidade ou identidade de gênero. Sua família e amigos também podem precisar de algum tempo para se ajustarem à nova realidade.
  13. Não sinta a necessidade de se ater a rótulos. “Eu mesma, quando contei para minha família pela primeira vez, disse que era bissexual”, recorda-se Adura. “Hoje eu compreendo que sou lésbica.” Sua compreensão de sua sexualidade ou identidade de gênero pode se alterar com o tempo. Você só deve satisfação para você mesme.

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4 comentários

Anônima

Tenho 16 anos e não sai do armario, gosto de mulher mas vivo falando pros outros que acho homem gostoso etc… Kkkkkk é uma merda! Ainda não criei coragem 🙁

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anderson andré

Bom li esta matéria sobre “como sair do armário”. E na minha opnião tudo deve acontecer naturalmente, e até por olhando bem “pra realidade” não acredito que aconteça passo à passo este caminho pra sair do armário. A realidade neste assunto sempre será delicada em qualquer lugar no mundo. Pois terão pessoas que irão apoiar e outras que não. Tudo isso porque vivemos numa sociedade. Eu acho que no máximo em primeiro lugar, tem que ter muito amor próprio para não machucar-se no futuro E a única dica que dou que faz parte da realidade é “não ficar dependente das pessoas”. Procure sempre ter um trabalho que será a tua renda e um lugar pra vc morar sendo de aluguel ou não. Já li reportagens que tem homossexuais que nem trabalham por não conseguir trabalho, que são expulsos das casas das suas famílias e que são até assassinados por membro de suas famílias e que tem casos de quando vão morar juntos num outro local mesmo sendo independentes, vizinho chamam a polícia, ou chegam à matar ou ficam pertubando o tempo que ficam morando na residência. Na verdade tem que ter “muita coragem” pra assumir. Tem empresas que nem aceitam quando sabem e o chefe manda embora e assim tem empresas que aceitam com mais facilidade. Na “prática” desta realidade, é uma realidade bem difícil de viver na sociedade. Não é um mar de rosas. Acho que no mundo todo. E você não pode confiar facilmente nas pessoas e principalmente em todo mundo.

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Nathan Obelar

Eu realmente não seguir essas dicas à risca, porém tive medo da reação da minha avó paterna se eu mesmo contasse. Aí pedi a minha mãe para contar, foi errado? Foi, mas depois ela veio me dar uma bronca por eu não ter contado, e detalhe foi no meu níver, era o único dia que ela podia estar comigo então aproveitei.
Depois que ela foi embora creio que fui palta de conversa ao o resto da família soube por Ela, mas pra mim o que importou que ela soube.
Em questão da minha mãe ela já sabia desde sempre então, quando fui contar foi de boas. E tbm tive receio de falar pro meu primo que sempre morou comigo. Aí tbm pedi pra minha tia falar…. tbm foi de boas.
Até hoje não tive retaliação de ninguém da minha família.
Ah, com meu pai tbm é de boas mas ele ainda tem uma coisa lá no fundo, mas nao demonstra. A opinião dele pouco me importa. E meus meio irmãos tbm foi de boa, nunca comentaram nada, pra mim de boa.
E para amigos tbm não me importava pq na verdade não tenho muitos amigos de verdade.

E com alguns colegas antigos de escola percebi uma afastamento, foda-se pq são meros colegas. A opinião deles é como pombo “não gosto muito”

Beijo senhor Caparica, baixo sempre os podcasts.

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