4 coisas que nunca devem ser ditas para uma pessoa com deficiência física durante ou depois do sexo

4 coisas que nunca devem ser ditas para uma pessoa com deficiência física durante ou depois do sexo

Tome cuidado para não falar o que não deve, e seu encontro com um gostosão com deficiência vai terminar sem drama

por Marcio Caparica

Traduzido do artigo de Andrew Gurza para o site Huffington Post

Tem coisas que eu adoro escutar depois da transa. Eu adoro quando estamos deitados, juntos, e meu parceiro vira pra mim, sorrindo exausto, com os olhos arregalados (porque eu sou mesmo muito bom de cama) e diz: “uau, eu nunca tinha feito isso antes”. Isso faz com que um sorriso também se abra no meu rosto, e eu fico com a certeza que ele não vai querer me esquecer jamais. Como eu gosto de ouvir isso.

Infelizmente, volta e meia eu também escuto algumas frases bem esquisitas dos meus parceiros depois da transa. Eu queria compartilhar algumas das frases mais bizarras que já me disseram depois da farra.

“Até que não é ruim cuidar de você”

Pois então, a gente acabou de transar, e eu peço pra você me ajudar a me vestir e subir na cadeira de rodas. No meio do processo, você me olha nos olhos e diz, com uma vozinha doce, “até que não é ruim cuidar de você, afinal” ou “foi gostoso cuidar de você”. Eu nunca sei direito o que fazer quando isso acontece. Eu devia agradecer? Ficar comovido? Seja como for, é super desagradável quando um cara diz isso para um cara com deficiência física depois do sexo. Isso nega completamente a trepada ótima que acabou de rolar, e reduz o que se passou a algo que você fez por mim, porque ficou com peninha. Aff. E eu que pensava que quando nós gozamos um por cima do outro, depois rolamos suados na cama de tanto tesão, um estava cuidando do outro, mutuamente. Você me ajudar a me vestir depois que eu chupei seu pau e você chupou o meu não deveria ser nada demais.

“Seu pau levanta?”

Isso é algo que eu não me canso de repetir: nunca se deve perguntar para um cara que tem deficiência física se “o seu pau levanta”, ponto final. Essa é, literalmente, uma das coisas mais objetificantes e broxantes que se pode perguntar para um homem com deficiência física. Se você quer me levar pra cama, não dispare essa pergunta, e muito menos quando estiver no processo de tirar minhas calças. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu estava prestes a mostrar meu pau para um cara, e ele fala isso no meu ouvido. Puta merda, cara! Agora é que eu não vou ter uma ereção mesmo. E, que eu mal lhe pergunte, o que você faria se um cara perguntasse pra você se você consegue ficar de pau duro logo antes de te chupar? Qual seria sua reação? Não seria das melhores, certo?

“Se eu fosse você, eu me matava”

Sinceramente, eu não esperava essa. Eu tinha conhecido um cara durante uma conferência, e a gente subiu até o meu quarto de hotel para curtirmos um pouco. A gente se divertiu bastante; tiramos as roupas, os corpos entraram em contato, tudo foi muito bem para um encontro inesperado. Quando ele estava se vestindo, ele diz com a cara mais lavada, “Eu não sei como você consegue, mas se eu fosse você, eu me matava”. Eu fiquei totalmente sem reação. De onde veio isso? Mais importante, por que ele achava que precisava me dizer isso? Eu coloquei ele pra fora e fechei a porta do quarto; ainda em estado de choque, caí no choro. Quer dizer que ele é capaz de ir pra cama comigo, só pra me dizer depois que, no meu lugar, ia pensar que não vale a pena ficar vivo? Isso que é balde de água fria.

“Você me lembra do…”

Acho que essa foi a coisa mais bizarra que um cara já me disse no meio da transa. Deixa eu contextualizar a situação. A gente estava no meio de uma pegação das boas – sabe, quando está tudo tão intenso que mal se consegue respirar, mas tudo bem, porque está um tesão? Pois então, isso mesmo. E de repente ele para tudo e me olha nos olhos. Eu fiquei torcendo pra ele estar apenas tomando um fôlego e se recompondo para continuar, mas já suspeitava que ele ia dizer algo relacionado à deficiência física. Foi inesperado mesmo. Estamos nós dois na cama, quase pelados, e ele diz: “a gente tem que parar. A gente tem que parar AGORA”. E eu respondi “OK, OK, sem problema”. Eu sabia que não devia, mas perguntei: “Por quê?”. E ele respondeu, “É que você me lembra do filho do meu ex, que tinha 12 anos e morreu. Ele usava cadeira de rodas, que nem você.” Eu tentei ser compreensivo, mas também fiquei muito incomodado, e bastante surpreso. Nem todos os cadeirantes têm a mesma cara, e só porque nós dois usamos cadeiras de rodas, não quer dizer que nós somos parecidos. Eu achei bem bizarro. Eu também fiquei por um tempo preocupado que eu tinha a aparência de alguém de 12 anos. Complicado.

Essas são apenas algumas das coisas que nunca se deve dizer para uma pessoa LGBT com deficiência física, durante um encontro ou logo depois. Infelizmente essa lista está longe de ser completa. Na próxima vez que você estiver transando com um cara tesudo com deficiência física, antes de falar algo pare para pensar: eu gostaria de escutar isso no meio da trepada? Será que isso que eu vou dizer vai deixar todos sem graça? Eu estou compartilhando essas histórias para que a próxima vez que você resolver sentar em alguém que está sentado numa cadeira de rodas, a transa termine com gemidos de prazer e muito carinho, ao invés de grunhidos de raiva.

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