Tudo o que você precisa saber sobre o teste de HIV

Tudo o que você precisa saber sobre o teste de HIV

Evitar o diagnóstico do HIV não faz com que ele vá embora. Aprenda as principais informações sobre o teste

por Marcio Caparica

É muito comum escutar que alguém tem medo de fazer exame de HIV. A pessoa entra num comportamento que, considera, pode tê-la colocado em contato com o vírus, passa dias e noites ansiosa, mas não procura um centro de saúde para fazer o teste e descobrir se foi infectada ou não. É uma atitude que não faz o menor sentido: ficar sem saber se contraiu HIV não faz com que ele desapareça do organismo. Uma vez que se recebe o resultado do exame, pode-se ou ficar tranquilo que não se contraiu a doença, ou se começar a tomar providências para tratá-la imediatamente.

Aqui no Brasil, felizmente, é muito simples fazer o teste de HIV. Reunimos as dúvidas mais comuns sobre esses exames e as levamos para o Centro de Referência e Tratamento de DST/Aids de SP, onde foram respondidas por Ivone de Paula, gerente da área da prevenção, e Sandra de Araújo, diretora do núcleo de laboratório.

Quem deve fazer o teste?

“Todas as pessoas que têm vida sexual ativa e se expõem a um comportamento de risco em algum momento – como, por exemplo, não usar preservativo em todas as relações sexuais – deve fazer o teste”, afirma de Paula. Ou seja, o teste de HIV não é algo apenas para homens que fazem sexo com homens. Vale lembrar que um soropositivo, em tratamento ou não, não costuma apresentar quaisquer sinais externos de que é portador de HIV – na verdade, em geral quem transmite o vírus são aqueles que não sabem que são soropositivos e, portanto, não estão controlando sua carga viral. Não é porque você conheceu o boy num lugar bacana e ele é limpo e cheiroso que ele não é portador do vírus. Quem passou por uma situação de risco pode procurar o centro de saúde mais próximo. “Se o teste for feito dentro de 72 horas depois do ocorrido, o paciente pode ser encaminhado para fazer PEP (profilaxia pós-exposição), ou seja, tomar o coquetel de antirretrovirais para evitar a infecção. Depois de 72 horas, o paciente será orientado a repetir o teste depois de 30 dias da situação de risco, para obtermos um resultado confiável”, completa de Paula.

Por que deve-se esperar 30 dias depois da situação de risco para que o teste seja confiável?

O teste que descobre se alguém se tornou soropositivo detecta anticorpos que o organismo fabrica em reação à presença do vírus HIV, não o vírus HIV em si. Acontece que leva algum tempo até que a quantidade de anticorpos presentes no sangue seja alta o suficiente para ser detectada. Esse é o chamado período de janela imunológica. “Atualmente o período de janela é de 30 dias após a relação de risco”, explica de Paula.

Quais são os métodos de testagem mais comumente usados?

O método mais tradicional de teste de HIV é aquele em que se coleta o sangue do paciente e se envia a amostra para o laboratório, para análise. “Em alguns dias o resultado fica pronto, e a pessoa retorna ao serviço de saúde para receber o resultado”, afirma de Paula. Já estão disponíveis na rede pública de saúde também os testes rápidos. Eles podem ser realizados utilizando-se uma gota de sangue, retirada do dedo da pessoa, ou fazendo-se a coleta da saliva do paciente com um tipo de cotonete. “Em ambos os casos, o procedimento rápido leva em torno de 40 minutos, incluindo-se o tempo de aconselhamento que acompanha a entrega do resultado”, explica de Paula.

Os testes rápidos são tão confiáveis quanto os laboratoriais?

“Sim, os testes rápidos para HIV são tão confiáveis quanto os testes convencionais”, frisa de Paula. Também vale lembrar que, sempre que se recebe um resultado positivo para HIV, um teste adicional é realizado, para que se tenha a certeza de que esse não é um falso positivo.

Qual é a possibilidade de se receber um exame falso positivo para HIV, ou falso negativo?

“Um resultado falso positivo para HIV pode ocorrer se a pessoa for portadora de alguma doença autoimune, como lúpus”, afirma Araújo. Esse tipo de ocorrência, no entanto, é extremamente raro nos dias de hoje: as estatísticas mostram que o teste ELISA, por exemplo, acerta no diagnóstico soropositivo de 99,3% a 99,7% das vezes. É igualmente raro que se ocorra um falso negativo; “ele pode acontecer por erros na execução do teste, mas isso é muito difícil”, lembra Araújo. A maneira mais comum de se obter um falso negativo é realizar o teste ainda dentro do período da janela imunológica (confira acima).

Como se cuida da confidencialidade do paciente?

“Todo processo de execução de testes HIV é realizado de forma a se manter o mais absoluto sigilo”, aponta de Paula. “Os profissionais estão capacitados para cuidar dessa questão, e para dar todo o suporte para a pessoa com diagnóstico positivo. Se ela desejar, podemos ajudá-la a trabalhar internamente essa nova situação, auxiliá-la a entrar o serviço de saúde, e orientá-la sobre como revelar o diagnóstico a(o) parceiro(a) se a pessoa assim desejar. Mesmo quando se faz testes fora das unidades de saúde, todo o cuidado é tomado para que a pessoa tenha toda a segurança de sigilo.”

Quando estarão disponíveis no Brasil os testes de HIV que podem serem feitos em casa?

“Os autotestes ainda estão em fase de estudos, estapa necessária antes de que sejam oferecidos como política pública”, afirma de Paula. “Neste momento eles ainda estão disponíveis somente como projeto de pesquisa em Curitiba. Num próximo estágio, ele será oferecido em São Paulo.”

Agora deixe de besteira. Vá fazer o teste de HIV e deixe de sofrer à toa. Confira onde fazer o teste no estado de São Paulo.

Participe da discussão! Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 comentários

rodrigo

Marcio, vc deveria trazer algo falando se chuva dourada pega dst. Nunca vi n.a.d.a sobre isso, e as pessoas fazem, sorry

Reply
Marcio Caparica

Urinar sobre outra pessoa (ou até beber urina) não transmite HIV porque não há vírus HIV na urina. Pode mijar à vontade, em cima de quem você quiser. 🙂

Reply