“Animais Fantásticos e Onde Habitam”: uma metáfora para a luta LGBT?

O novo longa-metragem do universo Harry Potter traça um paralelo com a sociedade LGBT forçada a viver no armário, aponta colunista norte-americano

por Marcio Caparica

Chegou aos cinemas uma nova franquia do universo Harry PotterAnimais fantásticos e onde encontrá-los, estrelado por Eddie Redmayne (famoso por protagonizar A garota dinamarquesa), mostra para os fãs como era o mundo dos bruxos nos Estados Unidos de 1926. O filme pode ser considerado, também, uma grande metáfora para a luta por direitos LGBTs.

É o que aponta o jornalista Kyle Smith em sua coluna para o jornal New York Post. Em seu texto, ele aponta vários paralelos entre o mundo LGBT e a trama do novo longa, que ele proclama ser “o filme de super-heróis mais gay desde X-Men: Primeira classe“:

O campeão de bilheterias mais recente de J.K. Rowling explora um mundo clandestino formado por pessoas cheias de estilo que vivem em segredo, uma minoria que passa despercebida por uma maioria de pessoas desconfiadas em Nova York, e que frequenta seus próprios bares underground.

(…) Animais fantásticos gradualmente se transforma numa fantasia gay a respeito dos temas de importância nacional dos Estados Unidos. Entre uma conversa e outra sobre como é injusto que haja leis proibindo que se case com a pessoa amada, aprende-se que há uma gama de bruxos e bruxas que vivem ao lado daqueles que não praticam magia, sem serem detectados. Para todos os efeitos, vivem no armário, forçados a reprimir suas verdadeiras naturezas por medo de despertar a histeria e o ódio da maioria, que persegue os bruxos e os destroem. Esse movimento é representado pelos Second Salemers, um grupo de ódio comandado pela amargurada e traiçoeira Mary Lou Barebone (Samantha Morton), representando todas as beatas estraga-prazeres da história do cinema.

(…) Tudo leva a um final explosivo que sugere que a repressão sexual – pela qual, em última instância, deve-se culpar aqueles que forçaram os bruxos a viverem clandestinamente – poderia literalmente destruir a cidade de Nova York.

Embate nas ruas de Nova York de uma minoria reprimida? Sinto cheiro de Stonewall.

eddie-redmayne

Em 2007 J.K. Rowling afirmou que Dumbledore, o diretor de Hogwarts, é gay. Já foi confirmado que a franquia Animais Imaginários vai explorar o passado desse personagem tão querido. Ainda não se sabe se os filmes vão mostrar a descoberta de sua sexualidade, nem está claro como será mostrado o relacionamento entre ele e o vilão Gellert Grindelwald (que será interpretado por Johnny Depp), uma de suas paixões. A autora declarou na semana passada: “obviamente essa é uma história em cinco partes, então há muito o que se desenvolver nesse relacionamento. Vou adiantar que veremos um jovem Dumbledore, bastante problemático, porque ele nem sempre foi tão sábio… Quanto a sua sexualidade, fiquem de olho”.

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2 comentários

Silvio

Eu vi o filme ontem e tive a mesma impressão: o filme lembra a repressão de LGBTs, mas também a questão casamento inter-racial que entrou em pauta nos EUA anos depois.

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Valéria

Q legal, adorei saber q teremos evidências mais contundentes de q há (ao menos) um personagem gay numa das franquias de maior sucesso do cinema, Harry Potter

Fiquei decepcionada quando os estúdios excluíram todas as referências de q o dumbledore era gay, especialmente nos últimos filmes, e a editora dos livros o mesmo, mas a JK tb tem sua parcela de culpa.

Espero q “reparem” esse erro a partir de agora, se bem q eu acho tarde demais, mas antes tarde do q nunca

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