Noruega passa a oferecer PrEP gratuitamente no sistema de saúde

Enquanto isso, o Brasil empurra com a barriga a adoção dessa forma de prevenção que pode salvar milhares de pessoas

por Marcio Caparica

Numa demonstração do quanto valoriza sua população LGBT, o governo da Noruega anunciou no começo da semana passada que passará a oferecer PrEP gratuitamente para sua poulação como parte dos serviços de seu sistema de saúde.

O tratamento, que consiste de tomar diariamente um comprimido de Truvada quando se é soronegativo para evitar a infecção pelo vírus HIV, já demonstrou níveis de eficácia acima de 86%. O tratamento foi recomendado pela Organização Mundial de Saúde para todas as pessoas em situação de risco de se contrair HIV. Nos dois anos em que está à disposição da população mundial, foram registrados apenas dois casos de pessoas que aderiram ao tratamento e mesmo assim contraíram o vírus.

A decisão, celebrada por grupos de combate ao HIV do mundo todo, é resultado de dois anos de campanha do grupo HIV Norway junto ao governo da Noruega. “A PrEP vai contribuir para a redução da taxa de novas infecções dentro da comunidade gay, já que os gays enfrentam riscos de se contaminar muito maiores que o resto da população”, alertou Leif-Ove Hansen, presidente do HIV Norway. “O uso do preservativo está em declínio, e estamos felizes que a PrEP é agora parte integral do nosso serviço de saúde pública.”

Enquanto no exterior a PrEP já está prevenindo novos casos de infecção pelo HIV, aqui no Brasil o Ministério da Saúde empurra com a barriga a adoção dessa estratégia tão poderosa de prevenção. Apesar de ter anunciado em julho que ofereceria o tratamento pelo SUS, no começo de outubro a a CONITEC, comissão do Ministério da Saúde responsável pela incorporação de novas tecnologias ao Sistema Único de Saúde, publicou um relatório anunciando que não vai oferecer o Truvada como forma de prevenção do vírus HIV para a população brasileira tão cedo. Uma das justificativas é que a Anvisa ainda não liberou o registro do Truvada para uso preventivo. O processo para que essa utilização seja liberada já está atrasado há mais de dois anos.

Até o governo brasileiro tomar uma atitude para retomar o controle da epidemia do HIV, estão à disposição as formas clássicas de prevenção: preservativo e, em caso de exposição a situações de risco, fazer PEP em até 72 horas, ou seja, procurar um posto de saúde e pedir para tomar remédios antirretrovirais por um mês para evitar a contaminação. Quem for montado na grana pode importar o Truvada para fazer PrEP, mas o preço é salgado: em torno de R$ 600,00 por frasco.

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