Frances Goudin, orgulhosa mãe de lésbicas

Conheça a mãe que há 40 anos demonstra o orgulho que sente de suas filhas lésbicas

Desde o início da Parada do Orgulho LGBT de Nova York, Frances Goldin marcha com o mesmo cartaz: "Adoro minhas filhas lésbicas - mantenha-as a salvo"

por Marcio Caparica

Uma senhora de 92 anos já tornou-se um dos símbolos da Parada do Orgulho LGBT de Nova York pelo amor que demonstra por suas filhas lésbicas – há mais de quatro décadas. Frances Goldin é célebre nas redes sociais norte-americanas por comparecer todos os anos portando o mesmo cartaz onde pode-se ler “Adoro minhas filhas lésbicas – mantenha-as a salvo”. Ao longo dos anos, o amor incondicional dessa mãe já se espalhou para outros pais e outros LGBTs, que a adotam como a mãe dos sonhos – mesmo que por apenas um dia.

Frances Goldin

Frances Goldin, antes de escrever a segunda parte de sua placa.

Goldin afirma que comparece à Parada de Nova York desde sua primeira edição, um ano depois da Revolta de Stonewall. “Desde o começo da parada, eu vou e mostro minha placa”, afirmou ao site Buzzfeed. “Ela comove as pessoas, principalmente aquelas que foram rejeitadas por seus pais. A reação à placa sempre é tão boa – faz com que eu continue a aparecer.”

Frances Goldin é a mãe de Sally, hoje com 70 anos, e Reeni, hoje com 68 anos. Goldin acreditava que não se devia ir para uma manifestação sem uma placa, então pediu para que um amigo arquiteto pintasse essa com os dizeres “Adoro minhas filhas lésbicas” antes de sua primeira marcha. Foi um sucesso instantâneo. A segunda parte, “Mantenha-as a salvo”, foi adicionada em 1993, quando Goldin marcou presença numa passeata em Washington, D.C. A ativista queria que houvesse uma exigência em sua placa. No verso, está escrito “mãe orgulhosa de lésbicas”.

Suas filhas afirmam que muitas vezes, durante as paradas e passeatas pró-LGBT de que participa, jovens que foram rejeitados por suas famílias correm até Frances Goldin, pedindo que converse com seus pais ou escreva-lhes uma carta. E sua mãe não hesita em fazê-lo. “Acho que já mudei a atitude de algumas pessoas, e fico feliz por isso. Todos deveriam apoiar seus filhos gays e filhas lésbicas, quem não o faz perde muito da vida.”

Frances Goldin com as filhas Sally e Reeni.

Frances Goldin com as filhas Sally e Reeni.

Desde 1970, Frances só não foi na Parada de Nova York em um ano, por causa de um ataque cardíaco. Ela sempre senta-se na mesma esquina (5ª avenida com rua 18) mesmo quando suas filhas não podem acompanhá-la. “Minhas amigas e jovens que ela conhece a acompanham”, explica Reeni. “Elas servem de filhas. As pessoas perguntam ‘Essas são suas filhas?’ e ela diz que sim! Está claro que não são, mas ela age como se fossem.” Em 1997 o jornal Washington Post já registrava sua presença:

“Adoro minhas filhas lésbicas – mantenha-as a salvo”, diz uma placa erguida por Frances Goldin, 73 anos, que afirma que a sociedade permite que se discrimine contra gays e lésbicas. Ela diz que suas duas filhas estão participando das paradas de Portland, Oregon, e San Francisco. Goldin conta que as pessoas se aproximam dando-lhe seus números de telefone, perguntando: “Posso adotá-la como minha mãe?”

Ela diz que vai ligar de volta. “A diversidade enriquece a todos nós”, afirma.

Frances Goldin também já participou dos protestos do movimento Occupy Wall Street, em 2011. Apesar de agora preferir participar dos protestos em uma cadeira de rodas, para descansar do calor e da multidão, ela afirma que pretende continuar marcando presença na Parada do Orgulho LGBT de Nova York. “Nem dá pra imaginar o quanto me beijam. As pessoas na parada chegam e me beijam – é muito recompensador”, comemora. “É muito importante comparecer, e eu estou grata por poder fazê-lo todos os anos. Tenho 92 anos hoje, e pretendo continuar a ir enquanto for possível.”

Frances Goldin e suas filhas

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2 comentários

Graziely Cristina Alves da Silva

Boa Tarde! Gostaria de sabe, como faço para fazer parte desse evento, pois o evento é fora do Brasil, quero saber se precisa fazer curso de inglês, para se comunicar lá?

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