Freiras

Chora Francisco: casal de ex-freiras casa-se na Itália

Isabel e Federica eram freiras franciscanas e conheceram-se fazendo trabalho missionário. “Deus quer que as pessoas sejam felizes e vivam seu amor à luz do dia”, afirmam

por Marcio Caparica

Uma das esposas tem 44 anos, é bacharel em filosofia e dedicou sua vida a fazer trabalho missionário ao redor do mundo. A outra passou a vida cuidando dos pobres e de dependentes químicos, em lugares tão díspares como Roma e a áfrica. Esse casal abençoado casou-se ontem na cidade de Pinerolo, no norte da Itália. Isabel e Federica são ex-freiras franciscanas, e, apesar de toda fé que têm e de todo trabalho que fazem para o bem do mundo, não conseguem a bênção de sua igreja.

“Deus quer que as pessoas sejam felizes, e vivam seu amor à luz do dia”, declarou Isabel ao jornal italiano La Stampa. “Pedimos que nossa Igreja acolha todas as pessoas que se amam”, completa Federica. A união civil entre as duas foi celebrada na prefeitura da cidade – a união civil para casais homoafetivos foi outorgada pelo presidente da Itália em maio desse ano, após pressão do resto da União Europeia, que considera a falta de direitos igualitários uma afronta aos direitos humanos.

Isabel e Federica conheceram-se há três anos, quando trabalhavam juntas como missionárias na América do Sul. Elas pediram para que se omitisse seus sobrenomes: “não é vergonha, mas medo do preconceito. Não queremos nos tornar celebridades, apenas viver pacificamente em sociedade e encontrar novos empregos logo. Abandonamos o mosteiro, mas não abandonamos a Igreja e não esquecemos nossa fé.”

A cerimônia civil foi acompanhada de um rito religioso comandado por dom Franco Barbero, padre que foi excomungado pelo papa João Paulo II por publicamente discordar da posição da Igreja Católica quanto à maneira de se tratar a população LGBT. “Ainda me sinto um sacerdote até a medula”, afirmou. “Amo minha Igreja, e continuo a ser padre em tempo integral. Escrevo livros, cuido de um blog e mantenho contato com vários sacerdotes que pensam como eu. Foi por meio dessa rede que conheci Isabel e Federica.”

Barbero conta que a história das duas ex-freiras nasceu “como todas as histórias de amor do mundo: lentamente, conhecendo uma à outra, compreendendo uma à outra. Será bom tê-las aqui em nossa comunidade de contemplação e oração.”

Apesar de várias declarações do papa Francisco que davam a entender que a Igreja Católica poderia estar lentamente abrindo-se aos direitos igualitários, nada indica que a população LGBT será acolhida tão cedo pelo Vaticano. No último domingo o papa Francisco fez uma declaração elogiando os protestos contra o casamento igualitário que estão acontecendo no México: “fico muito feliz em me associar aos bispos do México e apoiar o compromisso da Igreja e da sociedade civil em favor da família e da vida, que nesse momento precisam de atenção pastoral e cultural em todo o mundo”.

Para quem não sabe decifrar a mensagem cifrada do papa, aqui vai a declaração do porta-voz da igreja Católica no México, o padre Hugo Valdemar: “Há uma perseguição contra a Igreja. Isso é algo muito sério! O Estado agora determina o comportamento sexual dos cidadãos e impede qualquer tentativa de se retornar à normalidade. O Estado proíbe que os pais ajudem seus filhos a resolverem suas dúvidas sexuais e proíbe que os homossexuais mudem, mas se eles quiserem mudar de sexo ele banca essa atrocidade. É algo diabólico.”

Diabólico é esse tipo de preconceito. Divino é o amor. Como o de duas freiras que se apaixonam. Felicidades!

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Um comentário

Coisa linda, tomara que elas sejam muito felizes.
E tomara que cada vez mais os membros LGBT da igreja se cansem do opressão dela e vão começar a viver um vida feliz e completa de fato sem toda a opressão desumana da igreja.

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