Sexo anal: por que alguns amam – e outros detestam

Sexo anal: por que alguns amam – e outros detestam

Homens e mulheres, homos ou héteros, trans ou cis: o sexo anal é uma possibilidade para todos. Mas cada pessoa reage a ele de maneira diferente. Compreenda por que e como lidar

por Marcio Caparica

Traduzido do artigo de Carrie Weisman para o site Alternet

Há quem diga que não há apetite mais poderoso que o por sexo, e que os aventureiros mais famintos fazem questão de ver algo anal no cardápio de vez em quando. Mas, apesar do sexo anal ter se tornado mais comum para homens e mulheres nos últimos anos, nem todo mundo compartilha desse desejo de experimentá-lo, ou obtém tanto prazer com o ato quando tenta. Por que o sexo anal é uma questão tão polêmica? Quem gosta o faz com todas as forças, e quem não gosta jura que nunca mais vai dar esse tipo de abertura. Confira a seguir seis possíveis explicações.

1. Tem corpos que simplesmente se negam

Como bem sabe qualquer um que já sobreviveu a um piriri, o ânus pode ser uma área incrivelmente sensível. Pessoas com tendências a fissuras, hemorroidas e outras inconveniências podem sentir muita dificuldade em participar de atividades ligadas à bunda, como sexo anal. Então vamos criar um novo ditado: se dói na hora de defecar, é melhor não penetrar.

2. Alguns parceiros são melhores que outros

Poucas coisas são mais vulneráveis que ficar pelado na frente de alguém com a bunda pro ar. Quando se está nessa posição, é melhor que o parceiro seja alguém em que se pode confiar. Conseguir esse tipo de parceiro significa sentir-se à vontade para comunicar o que se quer e o que não se quer; o que é bom e o que não é. Se for necessário parar – ou continuar – é bom que se esteja com alguém que vai dar ouvidos. A sexóloga Carol Queen explica: “um parceiro insistente, que não se liga no seu prazer, ou desajeitado, provavelmente não é o parceiro certo para se explorar o sexo anal, a não se que ele se dedique a aprender como ser um bom amante.”

A terapeuta sexual Susan Block frisa: “se você vai penetrar o cu com seu pau, você deveria estar disposto a primeiro explorar o território com sua língua”. Ela explica que nessa situação, um pouco de estímulo extra tem grandes efeitos, principalmente quando se trata de sexo anal. “Coloque um vibrador em seu clitóris se você for mulher. Se você for homem, peça para que o parceiro ou a parceira estimule seu pênis, suas bolas, ou o faça qualquer outra coisa que você gosta… Dê um trato nas áreas de seu corpo que você sabe que dão prazer. Essas áreas muitas vezes acabam esquecidas.”

3. Algumas pessoas entendem mais de bunda

Se você estiver na posição de receber o sexo anal, provavelmente é bom lembrar o parceiro para ir com calma. As pessoas que estão fazendo isso pela primeira vez, principalmente, precisam de tempo para se ajustarem à sensação de algo entrando num lugar que foi projetado para expelir coisas. Como explica Tristan Taormino na segunda edição de seu livro, The Ultimate Guide to Anal Sex for Women (O guia definitivo do sexo anal para mulheres), na verdade nós temos dois esfíncteres. Há o esfíncter externo, que somos capazes de controlar, e o esfíncter interno, que é controlado pelo sistema nervoso autônomo. “Diferente da vagina, o reto não é um tubo em linha reta; ele é levemente curvo”, escreve. “Essas curvas são parte da razão por que a penetração anal deveria ser lenta e cuidadosa, especialmente no início. O reto de cada um e suas curvas são únicas, e é melhor sentir conforme se penetra lentamente, seguindo as curvas, ao invés de enfiar qualquer coisa pra dentro direto.”

Queen explica que algumas pessoas simplesmente não dispõem de informação o suficiente para serem capazes de alcançar uma experiência anal prazerosa. “Essas pessoas nunca tiveram uma boa educação sexual sobre isso, e nunca ouviram que alguém que deseja obter prazer com o sexo anal provavelmente é capaz de obtê-lo.”

Por sorte, há um método para se decifrar os mistérios do próprio ânus: masturbação. Block aconselha: “pode ser uma boa ideia dar-se uma sessão masturbatória em que você percorre todas as partes que você sabe que gosta, e daí explora aquele cuzinho bacana”. E completa: “Isso vai ajudar a relaxar. Vai tornar tudo mais familiar. Também vai tornar você capaz de comunicar a seu amante como é que você gosta das coisas. Eu diria que é uma parte importante da preparação.”

Taormino escreve em seu guia: “a melhor introdução ao erotismo anal começa com seu próprio traseiro”.

4. Alguns preparam-se mais que os outros

Diferente do que vemos nos filmes pornôs, a espontaneidade nem sempre é a melhor via para o sexo anal. Estar com o trato intestinal vazio é fundamental para que se evite acidentes constrangedores. Mas nem sempre somos capazes de controlar isso, claro. Quem gosta de se precaver pode optar por fazer um enema para deixar tudo limpo antes do sexo anal. Taormino aponta que a faxina, além de deixar a bunda limpa, também traz confiança e segurança.

Outro instrumento que também vem muito a calhar na hora de lidar quando se passa um cheque é a nossa velha amiga camisinha. Usar preservativo, além de evitar DSTs, é a garantia de que qualquer sujeira imprevista pode ser facilmente removida do pau sem maiores consequências. Use camisinha use camisinha use camisinha!

E é importante não encerrar a lista de acessórios por aqui. O cu não produz lubrificação natural por si só. Para nossa sorte, a solução para essa dificuldade universal está nas prateleiras da drogaria mais próxima. Os especialistas recomendam que se utilize um lubrificante à base de água. Quanto mais, melhor.

5. Há quem se atenha a estigmas

A logística é só metade da batalha. Queen aponta: “Algumas pessoas têm associações extremamente negatiavas ou temerosas a respeito do sexo anal”. Isso pode remeter a um medo da dor e uma crença de que sexo anal sempre machuca, o que simplesmente não é verdade. Também pode haver alguma razão psicológica mais profunda para essa aversão, como, por exemplo, alguém que teve “um treinamento traumatizante para utilizar o banheiro, teve que ouvir a lenga-lenga de seu pastor sobre Adão e Ivo, insistindo que nada pode entrar lá, só sair”, ou alguém que “teve um parceiro que lhe fez sentir vergonha por causa de seu desejo”.

Block explica que muitas mulheres que experimentam o sexo anal têm medo de, por causa disso, passarem a serem consideradas vadias ou putas. Homens heterossexuais que gostam de estímulos anais muitas vezes se veem forçados a terem que defender sua sexualidade. Mas, como bem lembra ela, “sexo anal não tem nada a ver com sua orientação sexual. Tem a ver com seu cu e nada mais”.

6. Tem quem quer, e quem não quer

As pessoas mais propensas a gostarem do sexo anal provavelmente são aquelas mais dispostas. Block afirma: “o desejo é quase um analgésico. Ele abre a pessoa. Quando não se tem desejo, fica-se paralisado.” Ela aconselha: “pare para pensar por que você quer fazer isso, e siga a partir desse ponto. Se você só quer fazer isso para agradar seu namorado ou namorada, as coisas podem ficar difíceis”. Em outras palavras, se você vai fazer sexo anal, faça por vontade própria, e depois pense em agradar o parceiro.

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8 comentários

Raphael

Desejo saber definitivamente se o que se significa chuca, pode ou não ser feito. Eu, até o momento, acredito que não possa ser feito. Se fosse permitido, ela seria solução para muitas outras dificuldades, além do sexo anal. Porém, uma coisa é fato! Toda vez que o ânus expulsa alguma coisa, mais ele fica elástico. Ou seja, melhor fica a condição para receber a penetração.

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Yago

Olá,
Vou tentar te explicar de um Jeito simples…
A chuca é um procedimento, para eliminar resíduos do reto, e do intestino. É utilizado apenas água, porém, existem vários “acessórios” para realiza la, existem: chuqueiras (você pode encontra las em sex shops) e também outros “acessórios” caseiros (muitos no improviso). A chuca é um método aconselhável, Sim!
Sem a chuca o sexo anal não seria nada. Haha’

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Marcos Silva

Só não concordo com a parte de que é necessário estar com o estômago vazio, ou de que isso seja um facilitador, ou mesmo uma precaução contra ‘acidentes’.
Acho que não tem nada a ver. Eu como tudo a toda a hora, pra mim o que importa sendo passivo é a limpeza do local com uma duchinha meia hora antes e pronto.
Não vejo sujeira alguma na camisinha, simplesmente nada!

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Raphael

Acho que cada um seja único. Já eu gosto de fazer com o estômago vazio, ou com pelo menos, uma sensação tranquila. Não pelo motivo de sujar, mas sim, pela sensação de conforto. Um estômago cheio, pode facilitar a produção de gases. Dessa forma, contribuir para o surgimento de arrotos, refluxos e gases intestinais. A não ser que o sexo seja na menor intensidade possível. Sendo, até mesmo, desencadeador de um piriri. Pois o gastrointestinal pode reagir a situações de estresse. E o ato sexual pode ser uma delas. Visto que não é sempre que podemos nos encontrar relaxados em uma atividade sexual.

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Ivan

Sou gay passivo, e comigo a coisa é muito estranha. Gosto de homem e gosto de pinto, mas dar a bunda é sempre uma tortura. Sempre dóis, machuca e sinto mais dor do que prazer. Mas não consigo parar de fazer. Quando vou iniciar uma relação já penso na dor que vou sentir, mesmo assim eu faço. É mais forte do que eu. Nem meu me entendo.

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Fábio Oliveira

Ivan,

Em sex shop existe lubrificantes que dizem que tem efeito anestésico leve… tenta, de repente pode aliviar a dor e você sentir mais prazer

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Fábio Oliveira

Eu sou adepto do Gouinage (ou frottage), que consiste na relação sexual sem penetração anal. Isso não tem nada a ver com G0YS ou qualquer coisa parecida, pois “Gouiners” se consideram gays e muitos são bem militantes. Ate meus 20 e poucos anos era bem complicado me relacionar por que era constantemente cobrado posturas de ativo ou passivo e nenhuma das duas era confortável muito menos prazeroso… Hoje cada vez mais as pessoas percebem várias formas de prazer e amor… a diversidade finalmente está se fazendo presente. Só falta aceitarmos essas diferenças parando de jugar ou criticar formas diferentes de gostas, opressão não é a solução

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Daniel Rodrigues

A resposta mais óbvia que foi esquecida : uns amam porque pra elas é prazeroso, outros detestam porque pra elas não é prazeroso.

O fato de uma parte das pessoas gostarem não torna nada unanimidade para ficar se especulando porque outras não gostam como se fosse uma obrigação gostam. Fosse assim, todos deveriam ser pansexuais. Felizmente bem todos são. Eu não sou.

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