Marchinha de Carnaval com Ana Carolina e Elza Soares é acusada de tirar gays do armário

Marchinha de Carnaval com Ana Carolina e Elza Soares é acusada de tirar gays do armário

Acusado de homofobia, Rodrigo Pitta, autor e cantor da música “Será?!”, diz que preconceituoso é o narrador do samba

por James Cimino

Uma marchinha de autoria do cantor Rodrigo Pitta, com participação de Ana Carolina e Elza Soares está sendo acusada de ser homofóbica e de tirar gays do armário. A faixa “Será?”, cujos versos dizem “deve ser veado/deve ser veado/porque homem tão perfeito tá faltando no mercado”, também tem assinatura do produtor Arto Lindsay, que tem no currículo produções de Caetano Veloso, Marisa Monte e Arnaldo Antunes.

Mas qual o motivo da polêmica, já que diversos bailes de Carnaval continuam executando “Maria Sapatão” e “Cabeleira do Zezé”? Leiam o que disse o autor da música?

Lado Bi — Qual tem sido a repercussão do vídeo?

Rodrigo Pitta — A maioria está adorando o video. Das pessoas que vejo a reação ao vivo, me lembro mais de gargalhadas. “Será?!” é uma canção que desvenda dois tipos: o narrador, que, mesmo politicamente incorreto, trata o assunto de forma engraçada, leve, irônica e não necessariamente preconceituosa, com algumas pessoas julgaram a musica. O outro tipo é o personagem. Um tipo que sempre ouvimos falar nas rodas de amigos: “será que ele é?”

Tem uma coisa medieval nessa canção, como uma cantiga de escárnio, que nos remete direto ao Carnaval. Pensando por esse lado, como literatura, a poesia de “Será?!” é a mesma de “Cabeleira de Zezé”, que em 2016 é taxada de homofóbica, mas não só dela, também de “Homem com H”, “Thelma Eu não sou Gay” e até “Robocop Gay” dos Mamonas Assassinas.

Mas tem muita gente que hoje em dia detesta essas marchinhas, porque elas remetem a estereótipos LGBT que muita gente gostaria que acabassem. O que você acha disso?

Os gays são os únicos elogiados da canção…

Por que você diz isso?

Porque as características admiradas pelas mulheres nos homens são, invariavelmente, mais percebidas nos gays, como a sensibilidade, a atenção e o gosto estético. Um hétero que fosse assim seria um sonho. Outra coisa, não fui eu quem inventou as piadas que estão na música, são frases que eu retirei do dia a dia dos brasileiros, piadas produzidas por uma sociedade preconceituosa.

Então por que você acha que algumas pessoas se sentiram ofendidas?

Não sei se ofenderam tanto, acho que é mais um afã de criticar algo. Eu, Ana e Elza jamais cantaríamos essa música se não fosse cheia de ironia. Porque daríamos tão fácil um prato cheio para haters?! Algumas pessoas não entenderam, e tudo bem, acho leve. Esperava reações patrulhadoras, mas não por parte dos gays… A sociedade americana sabe rir de si mesma… É cultural…

E por que o brasileiro não sabe rir de si mesmo? Só sabe rir dos outros?

Aqui é o pais da fofoca, e o personagem narrador é o típico preconceituoso. “Mas eu não quero ser intrometido, na vida nunca julgo nenhum amigo”. Esse verso por exemplo é o ápice da falsidade. Vivemos numa sociedade que julga 24 horas por dia.

Você, a Elza e a Ana conversaram sobre isso?

Foi mais musical. Veio muito mais a malícia de sambas engraçados sobre temas variados, da roda de samba com músicos maravilhosos, da piada do churrasco no quintal, como várias do Zeca Pagodinho e do Arlindo Cruz, veio mais o riso fácil, a constatação desse sentimento de muitas mulheres contemporâneas que não acham o homem perfeito pra casar.

Mas a questão de que poderia soar preconceituoso, não foi discutida?

Foi sim, mas achamos que por serem piadas que todo já ouviu um dia não haveria um peso para algumas pessoas… Não achamos que as pessoas levariam tão sério…

Talvez tenham levado a sério por terem ouvido tantas vezes…

É… Pode ser… Mas não é um manifesto político, nem eu sou um deputado homofóbico, é uma canção com humor. E ainda por cima é Carnaval. Teve gente que reclamou que eu estava arrancando as pessoas do armário…

Hahahahahaha! Mentira…

Abrir a porta de cada armário do Brasil significa ir além de desvendar a sexualidade alheia somente. É desvendar mentiras, segredos desnecessários, falcatruas…. Abrir o armário para uma limpeza, para entrar luz na casa, acho que o país está neste momento, de deixar de lado a hipocrisia e ser mas verdadeiro, abrir a porta do armário é “mostrar a cara”, parafraseando Cazuza.

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7 comentários

Pablo Frade Oliveira

Só o fato de esterótipos serem baseados em fatos e não em mera “fofoca” já devia calar o povo do mimimi

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Leonardo

Existem dois lados dessa história. E só quem é o alvo do esteriótipo acha ruim uma musica assim.

Na musica fala que o cara é muito camarada, mas que tem um problema. E o discurso que está na boca das pessoas começa (sem falar do fato de que o veado não é um homem completo pra música).

Eu ainda espero liberdade para o meio LGBT pra também ser o que não se veste bem, ou que não chega na hora, enfim, ser o que cada um é, além de músicas pra educar as pessoas para uma mudança e não pra ser popular e ir com a maré. A ironia aqui está só na boca de quem fala, porque meus ouvidos ouviram muita homofobia e o do pessoal que fala essas frases prontas, muitas verdades.

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Fernando

Quanto Exagero…
Os gays se sente ofendidos por qualquer coisa, tudo hoje é Homofóbia, o extremismo dos ativistas gays me dá nojo, sempre procurando algum motivo pra acusar de “homofóbia” , é um saco…

Eu vou cair fora do ativismo gay, prefiro viver a minha vida fora do meio gay.
Não aguenta mais as palhaçadas desse movimento, não querem igualdade, querem privilégios exclusivos.
O atual movimento gay não me representa.

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Bruno

Talvez alguns gays sejam assim porque gato escaldado tem medo de água fria.
Já parou pra pensar que os ativistas não são um bando de doidos histéricos e o mundo que é todo errado e cheio de preconceito? Fica aí o convite à reflexão!
E outra coisa: o movimento LGBT é amplo e cheio de discordâncias, o que é natural em qualquer movimento democrático. Pesquise um pouco e certamente encontrará uma ala do movimento que te representa. Eles lutam por pessoas como você, acredite.
E, nesses ramos todos do movimento, juro que só vi busca por igualdade, jamais busca de privilégios.

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Fernando

Não concordo com o kit gay é o maior absurdo do mundo, parada gay então nem si fale. As pessoas já têm um preconceito contra os gays por achar que todos são promíscuos, que todos são escandalosos e querem chamar a atenção e acusar de homofóbia e etc.. vendo uma parada gay então o preconceito vira um conceito concreto porque como a gente vai poder se defender se outros homossexuais parecem não ligar e acha bonito essa imagem negativa que só reforça estereótipos.
Eu não aceito estreótipos, ser gay não é sinônimo de orgias e putarias, existe gays de bem e respeitosos.
Os ativistas gays não estão preocupados em melhorar a vida ou buscar os “direitos” dos homossexuais, querem privilégios exclusivos.
Eu sou gay, não concordo com as escrotisses do ativismo gay, esse movimento passou completamente dos limites. Não me representam.

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Lucas

Ué, mas por causa de alguns que se incomodam por uma folha de papel que está no chão, se invalida o movimento? Parece-me que você estava procurando um deslize para criticar. Querida, desculpe, mas extremos sempre ocorrem. Se você não sabe distinguir pelo que os ativistas lutam, dos extremos cometidos, acho que o movimento só ganha a sua saída.
E você me parece tudo, menos um gay. Tá com um discurso dessa gente que vota em deputado fascista, difícil acreditar que tu seja.

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Fernando

A homofóbia existe, mas acho que esses movimentos exageram demais, procuram preconceito e homofobia, onde não há, claro que devemos tomar providências contra isto, mas o ativismo gay exageram demais.

Gays podem ser promíscuos na frente de qualquer pessoa e, se alguém fizer algum comentário contra é taxado logo de homofóbico, muitos gays acha que pode agredir a sociedade em locais públicos, fazendo atos obecenos e ninguém pode falar nada, se não é taxado de homofóbico.

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