relacionamentos abertos

10 motivos para se abrir um relacionamento

Relacionamentos abertos trazem uma gama de benefícios emocionais, além de permitir que se transe com muito mais pessoas. Confira

por Marcio Caparica

Traduzido da matéria de Sasha Garwood para o site SheWired

“Porque os dois querem” é a melhor razão de todas para se abrir um relacionamento, já vamos dizer de cara. E, se qualquer uma das partes não estiver realmente a fim de embarcar nessa aventura, provavelmente é melhor não forçar a barra mesmo. Mas há uma porção de vantagens em se abrir um relacionamento (ou até mesmo adotar o poliamor) que não estão escancaradas para quem nunca experimentou. Aqui vão algumas coisas a se considerar…

  1. Não se exige que uma única pessoa preencha todas as suas necessidades sexuais, intelectuais, emocionais e práticas. O conceito moderno de “romance” exige, implicitamente, que o parceiro preencha todas as necessidades do outro, sejam elas emocionais, sexuais ou práticas. Isso é muito a se exigir de uma pessoa só, principalmente a longo prazo. A ênfase no ideal da perfeição romântica continuada, de se estar apaixonado e morrendo de tesão para sempre, é um conceito relativamente recente (existe apenas nos últimos cem ou duzentos anos no máximo, e, mesmo nesse período, a sexualidade era negada ou demonizada quando se tratava de mulheres). Nós só passamos a esperar relacionamentos românticos que durem a vida toda, sem que uma das partes morra em breve, e sem o apoio da família extendida, nos últimos cem anos, no máximo. Os seres humanos são animais sociais – a maior parte de nós precisa de elos continuados com mais de uma pessoa para manter-se o mais feliz e saudável o possível, independente de como se expressarem esses elos.
  2. Um relacionamento aberto resolve problemas causados por diferenças pessoais, sexuais e sociais. Se um de vocês é extrovertido e sociável, e o outro é introvertido (esse tipo de polaridade é meio besteira, mas enfim), ou uma parte do casal tem uma libido muito maior que a outra, ou há diferenças importantes que são difíceis de conciliar a não ser que um dos dois fique em desvantagem, abrir o relacionamento cria o espaço para que as duas pessoas sejam felizes. O introvertido consegue todo o tempo de solidão de que precisa, sem preocupar-se por estar privando o parceiro do convívio social. A metade sociável, ou a mais libidinosa consegue toda a interação social e sexual que quer, sem sentir que está fazendo exigências injustas de seu parceiro. Além disso, se um de vocês tem um fetiche que o outro não curte, abrir o relacionamento significa a possibilidade de se realizar todas as necessidades sexuais sem ter que envolver a outra pessoa em atividades sexuais que não lhes dão tesão.
  3. Abrir o relacionamento faz com que ele dure mais (ou chegue ao fim mais facilmente, se necessário). Obviamente, se seu relacionamento já está de mal a pior, colocar mais gente na parada só vai amplificar todo o drama (Não faça isso!). Mas quando se está com alguém fantástico, e a conexão com essa pessoa é incrível tirando uma coisinha – libidos diferentes, interesses intelectuais divergentes ou geografias inconvenientes – abrir o relacionamento ou experimentar o poliamor (desde que todos envolvidos estejam de acordo) significa que, além de se manter essa pessoa fantástica, é possível encontrar outra pessoa fantástica que preencha essa lacuna e é, ela também, incrível à sua maneira.
  4. Um relacionamento aberto pode ajudar os dois a manterem a própria individualidade. Abrir o relacionamento muitas vezes ajuda os parceiros a enxergarem-se como pessoas distintas, com seus próprios gostos em pessoas e práticas, suas próprias ideias bacanas, ao invés de cair naquelas de pensarem-se como duas metades de uma unidade sem grandes diferenças. Além disso, quando se fica feliz por ver o outro com outras pessoas, e esse outro sempre volta por causa do amor e apoio, isso só reforça o fato de que vocês estão juntos porque seu relacionamento é bom e vocês se amam, ao invés de continuarem unidos por inércia, falta de opção, ou medo.
  5. A monogamia vai contra a maneira como os seres humanos crescem e mudam. Adaptar-se às maneiras como os dois mudam, crescem e mantêm sua autonomia individual é uma das maiores causas de tensão e rompimento em relacionamentos monogâmicos. Relacionamentos abertos ou múltiplos oferecem um espaço muito maior para que cada pessoa desenvolva-se individualmente sem a frustração de se ver obrigado a interpretar um certo papel no relacionamento, e em geral exige um nível de discussão e negociação que é muito bom para o relacionamento. Com o tempo, mudanças individuais podem levar a mudanças na relação, com chances muito menores de levar ao fim dela (confira item 3).
  6. A tentação de se forçar a acreditar que alguém é a “pessoa certa” só porque vocês estão transando fica menor. Se você tem outras opções de relacionamento o tempo todo, fica mais difícil jogar todas suas expectativas de um relacionamento feliz numa pessoa só. Também diminui a possibilidade de se entrar naquelas de que tal pessoa não é bem aquilo que você quer, mas você faz vista grossa porque afinal ela está a fim de você e é melhor um pássaro na mão que dois voando. Como certas expectativas comuns em relacionamentos monogâmicos não existem em relacionamentos abertos, é muito mais difícil deixar o autoengano tomar conta, ou se ver obrigado a fazer algo, ou presumir que o outro quer que X coisa aconteça. Com isso, os relacionamentos são construídos tendo por base as necessidades de cada um, não de acordo com um modelo monogâmico padrão. Mesmo ter discussões sobre o que cada um quer e como cada um se sente quanto a monogamia ou relacionamentos abertos pode ser muito proveitoso para se entender a relação do casal.
  7. A rede de apoio dedicada ao bem-estar de cada um torna-se maior. Como todos os envolvidos só estão nessa porque realmente estão a fim, as redes pessoais geradas por relacionamentos abertos ou poliamorosos podem tornar-se fontes genuínas de amor, apoio e socorro, nos bons e maus momentos. Não há ninguém mais preparado para discutir um parceiro que o outro amante dessa pessoa, e quando se multiplica os relacionamentos, multiplica-se a quantidade de pessoas com quem pode-se conversar, fazer coisas, para quem se oferecer apoio, montar a mobília, e até com quem se ter filhos, se estiverem dispostos. De novo, isso depende de todos os envolvidos estarem felizes com essa situação – há uma grande diferença entre sentir-se nervoso ou inseguro porque essa é a primeira vez que se experimenta um relacionamento aberto ou poliamoroso, e ter certeza de que quer um relacionamento fechado.
  8. As transas a três (ou mais) são fenomenais. Acho que a gente não precisa entrar muito em detalhes nesse tópico. Elas são mesmo fenomenais, mas as regras de praxe devem ser usadas para manter a sanidade de todos. Só para garantir: a) todos devem estar a fim de todos (de preferência, mais ou menos igualmente); b) todos devem querer transar, e serem adultos o suficiente para terem as conversas necessárias sobre consentimento e comunicação; e c) deve haver uma conversinha breve antes sobre o que está acontecendo e para onde isso vai – vocês estão em busca de algo que vai se repetir mais vezes? Uma noitada apenas, depois da qual a pessoa não vai mais entrar em contato com nenhum dos dois? Uma relação que pode ser desenvolvida por cada metade do casal independentemente? A pessoa que está entrando na brincadeira está por dentro disso?
  9. Fica mais fácil identificar relacionamentos abusivos e lidar com eles. Quando se tem relacionamentos felizes e saudáveis para servirem de comparação, fica mais difícil de se coagir ou forçar alguém a fazer o que não quer – ou, pelo menos, há mais pessoas ao redor que vão perceber o que está acontecendo, vão oferecer apoio emocional e prático, e vão ajudar a parte mais vulnerável a sair do relacionamento. Outros parceiros também fazem com que seja mais difícil para o abusador isolar e desestabilizar o parceiro – se no papel você está num “relacionamento aberto”, seu parceiro tem vários outros amantes, mas todas as pessoas com quem você quer se envolver é proibida por qualquer que seja a razão, é hora de acender o alerta vermelho.
  10. Relacionamentos abertos oferecem um maior número de oportunidades diferentes e variadas de crescimento pessoal. Não me entenda mal, o trabalho emocional que é necessário para se ter um relacionamento monogâmico de longo prazo é, sem dúvida, uma excelente oportunidade de crescimento pessoal. Mas quando se está num relacionamento aberto ou poliamoroso, além do autoconhecimento que se adquire durante o processo, obtém-se também o aprendizado oferecido por todos os relacionamentos individuais com cada parceiro. Cada um deles o conhece de maneira diferente, e cada um oferece um tipo de relacionamento diferente. Aprende-se o que se requer de cada um deles, e o que cada um deles traz, o que cabe em cada conexão, quando se por fim a um relacionamento e quando mantê-lo. Como exploração da própria identidade e dos outros, relacionamentos poliamorosos e abertos são incríveis – e costumam vir com muito sexo, muitos abraços e muitas discussões inteligentes.

Apoie o Lado Bi!

Este é um site independente, e contribuições como a sua tornam nossa existência possível!

Doação única

Doação mensal:

Participe da discussão! Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

25 comentários

Victor Hugo

Cada um tem de ser feliz da forma que desejar, monogâmico, relacionamento aberto, poliamor.
Se não aceita a opção de cada um não os julguem.
Pode dar até a opinião de como você conseguiria ou não, mas a opinião é sua e não minha.
O importante é você se amar, amar e ser amado.
Se você está solteiro e fez parte de um manage, parabéns.

Mas aposto que tem muitos solteiros hoje, que falam que não consegueriam. Mas esperam pular a cerca quando namoram, ahhhhh se pulam. Conheço muitos assim 😉
Então amigos(as) não vamos morder a fronha alheia.

Quer me pegar, me beija.

Responder
Alexandre Melo

Se existisse receita, todos seriam felizes no comercial da ‘Qually’….fato!

Abrir, não abrir, abrir parcialmente (existe?), é um tema por demais complexo para afirmar que este ou aquele estão errados ou certos mas fato é que o humano não nasceu para ser uma criatura de experiências e vivências limitadas.

O pulo do gato não é como fazeer mas como cada um o faz, esqueçam os moldes e definições, se funciona para o casal aos infernos com o resto!

Responder
Silvio

Eu acho que adotar um relacionamento aberto pode ser um pouco mais complicado.
Eu entendo todos os pontos que foram abordados no texto acima, mas não consigo tirar da minha cabeça como
me sentiria se visse meu namorado na cama com outro homem regularmente. Eu só consigo me imaginar morto de
ciúmes e menos amado do que outro… Como encontraria equilíbrio para lidar com isso?

Responder
Danilo

Qual a diferença de estar solteiro? Ah, solteiro é melhor que essa ilusão de ter um relacionamento que se denomina aberto.

Responder
Alexandre Melo

Existe sim uma diferença, meu caro amigo. Solteito (do latim ‘solitarius’) implica uma escolha que sim, pode ter sido feito por você como estilo de vida mas acarreta uma gama bem menor de experiências e vivências.

Ser ou estar solteiro pode trazer um benefício efêmero mas afasta o perene do relacionamento, seja ele aberto, fechado, meia porta, escancarado sei lá o que mais.

Quem optou por um relacionamento aberto já possuía uma bagagem acumulada de uma vivência em comum e busca, com isto, aumentar essa bagagem e abrir novas perspectivas bichos sociais que somos, precisamos dessa alimentação humana, alguns saciam-se com pouco, outros demandam mais, é difícil…

Mas o solteiro perde nesse quesito, penso eu..

Responder
Juliana

A diferença é ter alguém fixo em quem você pode confiar, dividir problemas e alegrias, dívidas, nascimento dos filhos, viagens, planos, programas familiares e outras um milhão de coisas mais importantes que a vida sexual.

Responder
Juliana Rorio

Para isso, você pode ter um amigo, um membro da família ao seu lado. Eu acho que as pessoas estão completamente sem noção em relação a relacionamentos hoje. Eu não vejo razão alguma para preferir ficar em um relacionamento aberto em vez de solteiro!

Responder
Rodrigo Mendes

Quando rola relacionamento aberto, ambos os lados percebem que existe uma vida além do relacionamento! Amor é amor, sexo é sexo. A questão de abrir o relacionamento é que você pode contar com mais de uma pessoa pra trocar energias, pensamentos, ideias. Me atrevo a dizer até que optar pelo relacionamento aberto é mais uma decisão intelectual do que física!

Responder
Antonio

Matéria boa, mas peca um pouco quando começa a misturar o relacionamento aberto com o poliamor… acredito que deveriam deixar separado, pq são coisas bem distintas… as regras são BEM diferentes.
No mais, cada um ama da forma que achar melhor, sem ficar preso a definições tradicionais de relacionamento. Muita gente que critica é hipócrita e, se bobear, trai o namorado.
Vivo um relacionamento aberto (e poliamoroso) e posso dizer que, mesmo com todos os problemas, nossos dramas são infinitamente menores do que quando éramos monogâmicos, nossa liberdade e nossa individualidade são coisas preciosíssimas, e nossos papos abertos resolvem todos os medos e inseguranças que temos um com o outro.
FUJAM da monogamia compulsória: abram sua mente e vejam que existem outras possibilidades tão válidas quanto ela. Se, depois disso, ainda quiser ser monogâmico, maravilha, a escolha é sua! Mas não o seja por medo do que os outros vão dizer ou simplesmente porque está enraizado em você… observe o mundo e seja feliz!

Responder
Leo

Parabéns pela matéria. Muito bem detalhada com uma abordagem completa sobre questões básicas do ponto de vista de quem vive essa realidade, mas complexas aos olhos de quem defende o tradicional. Não liguem pros comentários equivocados. Continuem espalhando amor

Responder
Tom

Eu ia comentar o texto, mas os comentários deixados me brocharam, não por discordarem da autora, o que é normal e saudável, mas por virem de pessoas que acham que sabem definir o que é amor para as outras pessoas, e colocando o sexo como algo sagrado e a ser feito exclusivamente com uma única pessoa.
Como a gente nota sempre na internet, as pessoas não querem saber como as outras pessoas vivem, pensam, não querem debater, (se) questionar. Elas querem apenas julgar, errado de preferência, talvez para se sentirem melhor em suas escolhas.
Então, nada me resta a comentar.

Responder
Renzo

Eu ouso a incrementar mais Tom, o povo na internet é muito “certinho”. Ninguém passa na rua e olha, deseja alguém que por alguma característica, seja física ou intelectual o(as) chamam a atenção, ninguém tem fantasias, fetiche… quando na verdade isso tudo é aparência. No dia a dia mesmo, basta uma piscada de olho, uma palavra indicativa e esquecem o compromisso, a aliança e correm para um banheiro no reservado, ou um motel, hotel, carro, meio do mato, “trepam”, gozam gostoso e depois dizem que respeitam, defendem a monogamia, o amorrrrrr. Só digo uma coisa: #SEI

Responder
Giliarde

O texto compilou faltou falar de Inteligência Emocional, como ter um relacionamento aberto a onde o mundo se torna cada vez mais individualista e Inseguro???

Responder
Paulo

Meu, de longe essa foi a matéria mais sem sentido e contraditória que eu vi nesse site. Cara, sem palavras… Não vou nem me dar ao trabalho de colocar alguns excertos aqui porque com toda a certeza do mundo essa mulher nunca soube o que é um amor de verdade. Este texto foi escrito por uma pessoa que quer curtir o sexo para pessoas que querem curtir o sexo. ‘diferenças intelectuais/sociais’… Meu Deus minha filha, e por isso você vai dar ou meter no cu de outro? Ah pelo amor de Deus, isso é falta de vergonha na cara. Mas é a nossa geração né? É mais fácil trocar do que consertar. Porque de amor aí eu não vi nada. E sexo não é nem 10% de uma relação.

Responder
Marcio Caparica

Cada um tem a ideia de amor que acha melhor, e todos devemos respeitar as escolhas e preferências de cada um. Agora, discordo que sexo não é nem 10% da relação. Quando a relação sexual entre os parceiros é boa, parece que não é nem 10% da relação. Quando ela é um problema, torna-se um problema imenso.

Responder
Antonio

Mais fácil trocar que consertar? O texto está falando EXATAMENTE DO OPOSTO disso! Onde ele diz pra vc abandonar seu parceiro?: Pelo contrário, propoe soluções para vocês dois continuarem jutnos e ainda serem mais felizes que antes. Pessoal sem noção, acha que sabe o que é amor, mas tá preso a conceitos padronizados que a sociedade faz engolir. Dá pra ver pela raiva quando é abordado por algo assim. Se soubesse MESMO o que quer, ia ficar de boa na sua monogamia sem querer atacar o relacionamento dos outross.

Responder
joao

que merda esse texto heim, alem de permitir que se transe com muito mais pessoas- quem diise que isso é bom? o cara que escreveu isso nunca se apaixonou e NAO SABE OQUE É O AMOR

Responder
Antonio

Então você sabe o que é amor, rapaz? Não saber separar amor de sexo (muitas vezes ocorrem juntos, mas nem sempre) vai te fazer um bem enorme, viu… essas gays que pegam emprestados modelos heteronormativos (mega recentes, por sinal) e o endeusam são as piores. Sempre tem muita hipocrisia envolvida.

Responder
Mark

Como se relacionamento aberto não pudesse ser heteronormativo. E como se relacionamento aberto não pudesse ser endeusado. Gays não estão sendo heteronormativos só por quererem ser monogâmicos.

Responder