6 fatos desconcertantes sobre ser transgênero

6 fatos desconcertantes sobre ser transgênero

Uma pessoa trans pode ter que percorrer um longo e exasperante caminho até entender sua identidade de gênero, como relata a programadora Christina Hitchens

por Marcio Caparica

Traduzido do artigo de Robert Evans e Christina Hitchens para o site Cracked.com

Aos poucos a sociedade está despertando para a ideia de que as pessoas transgênero existem como algo além de um fetiche ou uma piada para uma comédia sexual de Hollywood. Quando Caitlyn (antes Bruce) Jenner declarou-se trans recentemente, sem dúvida a reação da população norte-americana foi muito menos terrível do que seria há vinte anos.

Mas as pergunta que muitos ainda se fazem é, “Como é que alguém como Jenner pode chegar nessa idade e de repente ‘decidir’ que é mulher?”. Bem, a resposta é que as coisas não são assim tão simples. Nós conversamos com Christina Hitchens, uma mulher trans que não fez sua transição até tarde na vida adulta, e mais uma vez descobrimos que a sociedade não facilita isso em nada. Ela conta como…

6: Mesmo na infância, sente-se que tudo está errado

Tudo sobre pessoas transgênero deve parecer exasperante visto do lado de fora. Por que se fazer passar por uma transição de gênero demorada, que coloca sua vida de pernas para o ar, e pode (ou não) envolver uma cirurgia extremamente invasiva e custosa? Como pode ser possível que 46% das pessoas trans com menos de 24 anos já tentaram o suicídio? Isso é tão importante assim?

Bem, antes de eu passar pela transição, eu me lembro de conversar com um amigo um dia sobre depressão, e ele disse que para ele não havia problema em acordar todas as manhãs. Foi aí que eu percebi que eu não gostava de nada: acordar, nem sequer o prazer básico de colocar um par de cuecas limpas. Adotar o que para você é uma persona falsa na escola, no trabalho, e para sua família é como sair pelo mundo vestindo uma malha feita de lixas. Há essa fricção dolorosa entre quem você é e quem você finge ser.

Mas é isso que você faz quando a sociedade lhe diz que cada impulso e prazer em sua vida é errado e contra a natureza. Essa sensação de odiar andar na própria pele existe o tempo todo, além de todo o estresse normal proveniente da escola, do trabalho, do sexo, e de crescer em geral. Eu não tinha aquela válvula para aliviar a pressão que outras pessoas parecem ter – mais cedo ou mais tarde eu me fechava, faltava na escola ou no trabalho, e seria cruel com amigos e familiares. Eu precisava de uma quantidade insana de tempo para recarregar as baterias e voltar a ser algo que se parecia com uma pessoa decente. E, nesse tempo todo, eu não fazia ideia do que havia de errado comigo.

Lembre-se de que, durante a maior parte de minha vida, eu não sabia que pessoas transgênero existiam. A palavra “transgênero” sequer era mencionada nas aulas de educação sexual no ensino médio – a saúde de transgêneros não é exatamente compatível com a versão de “educação para a saúde” da escola pública. Ainda ensina-se que a abstinência é o padrão a se esperar dos adolescentes – uma expectativa que é no mínimo irreal, já que os Estados Unidos é o sexto país no mundo no ranking de adolescentes grávidas.

Eu me arrastava pela vida como um garoto, apesar de que tudo que eu fazia me dava a sensação de ser errado. Era pior durante as manhãs, quando eu tinha que me vestir para iniciar o dia. A exigência de vestir calças parecia para mim tão errado como seria para a maior parte dos homens se, por lei, fossem de repente forçados a vestirem saias delicadas todos os dias. Imagino que esses caras passariam grande parte do tempo tentando encontrar a saia mais masculina o possível (“essa saia xadrez meio que lembra Coração Valente, não é?”), e era isso que eu fazia, mas na direção contrária.  Eu era capaz de me forçar a vestir algumas coisas se elas fossem confortáveis ou macias o bastante, mas todas as manhãs eu passava por um jogo de barganha. Chegou um ponto em que eu me peguei vestindo calças de moletom todos os dias. Sim, eu era um desastre da moda. Mas…

5. Sua identidade de gênero começa a se fazer presente de maneiras pequenas e inconscientes

Quando eu era criança, as coisas macias eram meu santuário. Eu dormia com um ursinho de pelúcia todas as noites, e minha mãe fazia a bondade de comprar lençóis muito macios para mim. Cobertores macios estavam sempre à mão. Eu gostava muito de ter meninas por perto e ficar perto delas, o que acabava sendo uma “camuflagem” inconsciente. Eu buscava a atenção feminina onde quer que fose; no ensino médio, eu percebi que conseguia que as meninas brincassem com meus cabelos se eu passasse gel, e isso foi como encontrar uma mina de ouro. Depois de um tempo eu me enjoei do gel de cabelo, mas mais tarde uma de minhas amigas penteou meu cabelo enquanto conversávamos – e deve ter pensado que eu gostava disso por razões muito mais carnais do que as verdadeiras.

Eu sempre fiz questão de deixar o cabelo crescer o máximo possível, até o ponto em que quando faziam a velha piada “você está parecendo uma menina!” começou a me afetar mais do que deveria. Quando eu estava no ensino fundamental, eu me lembro de estar sentada ao lado de uma amiga minha da época, e alguém atrás de nós pensar que eu era uma menina. Aquilo… não era exatamente um elogio para a maioria dos homens, e possivelmente era uma razão para sair na briga para alguns. Mas eu adorei aquilo.

Eu também gostava quando me confundiam com minha mãe quando eu atendia o telefone. E gostava de ter a pele macia e lisa. Mas, é claro, a puberdade acabou com isso. Não há dúvidas de que 0% dos adolescentes tem uma puberdade livre de esquisitices – é uma época confusa, desajeitada, cheia de cheiros esquisitos, e a única parte boa é descobrir uma pilha de pornografia escondida na casa de alguém. Mas a puberdade é ainda mais esquisita quando seu corpo está se transformando de maneiras que você não quer.

Meu corpo começou a se cobrir de pêlos por inteiro, e me vi levada a começar a me depilar. Era uma batalha inglória e sem fim contra os pêlos que brotavam por todo meu corpo. Fiquei particularmente incomodada quando ele começou a crescer, preto e grosso, em minhas pernas. Quando fiquei um pouco mais velha, os pêlos começaram a crescer também em minhas costas. Nada me tirava tanto do sério quanto pêlos nas costas; arrancá-los era meu Vietnã. Eu tenho uma pequena área no meu tornozelo que naturalmente nunca teve pêlos; lembro de me sentar com as pernas cruzadas e sentir aquele ponto macio no meio dos pêlos nas pernas que cada vez mais o sitiavam. Se algum pelinho tinha a infelicidade de surgir na minha pequena ilha de serenidade, ele seria rapidamente removido, às vezes distraindo-me o dia inteiro, até que eu conseguisse arranjar uma pinça.

Depois de um tempo eu comecei a usar roupas íntimas femininas. Meio que aconteceu um dia – eu não me permiti pensar muito a respeito. Num primeiro momento isso era sexual, mas em pouco tempo eu parei de usar boxers, e passei a ir trabalhar de fio-dental simplesmente porque me sentia melhor assim. Eu odiava vestir boxers, mas a certa altura tive que voltar a usá-las, quando comecei a namorar uma menina. Quando esse relacionamento ruiu, eu voltei imediatamente ao fio-dental. Eu me lembro de dizer para mim mesma, “Bem, pelo menos eu não tenho mais que usar boxers”.

4. Você luta contra tudo o que a sociedade espera de você

Eu lutei com quem eu era por anos, pensando que talvez eu fosse gay, ou fracote (nesse caso, eu precisava “virar homem”, seja lá que porra é isso). Perguntar para mim mesma “eu sou mulher?” tornava-se ainda mais complicado pela dificuldade de se definir o que é ser mulher. Aproximadamente uma em cada 5 mil mulheres nasce sem vagina. Algumas mulheres nascem com uma vagina funcional, ovários, etc… e também com um cromossomo Y, há muito tempo considerado o emblema definitivo da masculinidade. Você faz ideia do que é enlouquecer tentando decifrar algo que, para a maioria das pessoas, é tão preto no branco que eles nunca sequer pensaram duas vezes a respeito?

Por eu ter nascido um garoto, e no sudoeste da Florida, esperava-se que eu fosse atrás e transasse com garotas. Isso não parecia ser muito problema a princípio, porque eu sempre gostei de meninas. Elas eram tão lindas, e cheiravam tão bem, e eram tão boas de olhar… Com certeza eu era “normal”, certo? Mas, no fim das contas, eu me fascinava tanto pelas garotas porque eu queria ser uma delas, o que acabou contribuindo para algumas dinâmicas de relacionamento bastante nocivas. É difícil fazer sexo bem, com intimidade e emoções, quando você não consegue parar de imaginar como seria muito melhor se você estivesse na outra posição desse amontoado de gente. Na primeira vez que eu fiz sexo do jeito certo (para mim), eu sabia que todas as outras vezes haviam sido farsas.

Mas a necessidade de ser “normal” é mais forte para os adolescentes que comer ou fazer cocô, e eu tentei me forçar a ser “macho” para continuar sendo aceito. Eu me tornei muito bom em agir da maneira como se esperava que eu agisse para afastar suspeitas. Infelizmente, a vida que se esperava que eu vivesse – crescer, me casar, chegar em casa e encontrar esposa e dois filhos, esse tipo de coisa – não chegava perto da vida que eu queria para mim. Sequer me ocorria que o motivo de eu me sentir tão mal enquanto corria atrás desses objetivos era que esses não eram meus objetivos – eles eram os objetivos de outra pessoa. E daí, finalmente…

3. A revelação pode vir toda de uma vez só (e do nada)

Meu cérebro vinha tentando chamar minha atenção de todo jeito há muito tempo. Quem sai do armário mais tarde na vida muitas vezes diz que se arrepende de não ter montado o quebra-cabeças mais cedo. Uma pergunta que as pessoas me perguntavam regularmente quando eu finalmente me declarei trans era “Mas como é possível que você não sabia?”. Bem, a verdade é que se qualquer pessoa realmente soubesse tudo a respeito de si mesmo, não existiriam terapeutas, psiquiatras, Zoloft, e o uso de drogas ilegais. Há coisas a respeito de si mesmo, das quais você não faz a menor ideia, que seus colegas de trabalho sacam em meros 30 segundos depois de conhecê-lo. A mente humana é assim – o seu maior ponto cego é você mesmo.

De minha parte, eu percebi que era trans enquanto estava louca com dois ácidos e meio, navegando pelo Reddit e tentando enrolar um baseado. Eu esbarrei com um tópico de discussão com um título nas linhas de “Qual é o seu maior arrependimento?”. Eu rolei a página, lendo por cima alguns comentários quase interessantes, até encontrar um escrito, aparentemente, por um jogador de futebol americano. Ele se descrevia como um pequeno gigante, com mais de 1,80m de altura, todo musculoso etc. e tal,  e seu arrependimento é que ele nunca conseguiria ser a menina mignon e linda que ele realmente gostaria de ser. Eu li esse texto com fervor, esquecendo-me do baseado. Veja bem, eu não chegava perto de ser um jogador de futebol americano como aquele,  mas eu estava preso nas garras firmes da testosterona e todo o dano aparentemente inevitável que ela faria a meu corpo. Eu sabia exatamente do que ele estava falando.

E então, alguém no tópico disse, “Não é uma questão de com quem você vai para a cama, mas sim de quem você é quando vai para a cama”, e outra parte do meu cérebro explodiu. Eu comecei a ler aquele tópico pensando que pessoas transgênero só eram criadas quando um médico não conseguia fazer a escolha certa de genitália para um recém-nascido com genitália ambígua. De repente, eu percebi como todos aqueles anos que eu passei querendo estar com minhas amigas tinha muito mais a ver com minha vontade de ser minhas amigas.

2. Até mesmo pais bons podem reagir de maneira ruim

Eu tenho pais excelentes. Meu pai, um homem tão conservador que abandonou sua cidadania canadense para tornar-se norte-americano, me apoiou logo de cara. Minha mãe tem sido maravilhosa, mas… não foi um processo instantâneo. Eu decidi me declarar para ela logo depois da primeira vez que eu fiz sexo e realmente foi bom – muito bom, para falar a verdade. Poucos dias depois, ela havia acabado de me dizer um “eu te amo” quando eu estava prestes a descer a escada, e, bem, aquele momento parecia tão bom quanto qualquer outro:

“Eu quero ser uma mulher.”

Ela perdeu a fala como se eu tivesse acabado de lhe dizer que havia acabado de esfaquear o carteiro. Ela culpou meus remédios para TDAH, a própria TDAH, e a maconha. Então eu expliquei a ela que isso provavelmente se devia a uma deficiência de hormônios masculinos durante a gestação, e ela culpou a si mesma. Quando eu finalmente a convenci que era puro acaso, ela me disse que se sentia como se seu filho estivesse morrendo.

Levou quase dois meses para ela parar de surtar. A certa altura, depois de me declarar para ela, eu me lembro de ouvi-la dizer em outro cômodo “Bem, pelo menos ele não é um assassino” (ué, você achou que eu estava exagerando quando eu descrevi a reação acima?).

Isso não é a coisa mais terrível que jovens trans já escutaram de seus pais. Não está sequer entre, sei lá, as 250 mil piores coisas já ditas. Mas serve para demonstrar como até mesmo pais maravilhosos e compreensivos falham quando têm que encarar uma surpresa como essa. Minha mãe não tinha qualquer problema com minha homossexualidade, mas aceitar um novo gênero depois de quase duas décadas era pedir demais.

E ela também temia, legitimamente, por meu futuro, dizendo “Sua vida vai ser tão mais difícil daqui para frente”. É claro que ela estava errada – combater a verdade sobre quem eu sou, essa era a parte difícil. Eu vi que minha mãe finalmente havia compreendido um dia em que ela saiu para jantar com uma de minhas tias, que havia feito tudo menos me apoiar – ela passou a refeição inteira fazendo questão de se referir a mim no masculino e me chamar por meu nome de nascimento. Finalmente minha mãe levou-a para o banheiro e lhe disse, “Minha filha tomou sua decisão e eu vou apoiá-la nessa decisão. Ela nunca esteve tão feliz, e não há nada que seja mais importante para mim que isso. Eu não estou nem aí se amanhã ela me disser que estava enganada sobre isso tudo – eu só quero que ela seja feliz. E a Christina está muito mais feliz agora. Eu gostaria que você pudesse ver isso com seus próprios olhos, mas você não poderá ficar perto dela se você continuar agindo assim.”

1. Algumas de nós nunca vai ter uma aparência feminina, por mais que nos esforcemos

Hollywood está finalmente se esforçando para retratar personagens transgênero de maneira positiva, ao invés de usá-las como o alvo de uma piada fraca  quando um personagem bêbado tenta seduzi-la num bar. Mas aqui está a pegadinha: para conseguir torná-las positivas, os padrões que eles estabelecem para uma mulher transgênero é de alguém incrivelmente autoconfiante e absolutamente decidida sobre quem ela é. E ela também é alguém bonita pelos padrões convencionais.

E, puxa, essas mulheres existem e elas são fenomenais. Mas simplesmente conseguir uma compreensão básica do que nós somos é uma batalha enorme e dolorosa para muitos de nós, e isso é exarcebado pelo fato de que nossa aparência exterior jamais estará de acordo com nosso gênero. A transformação de Caitlyn Jenner em modelo de capa de revista custou por volta de 4 milhões de dólares.

A verdade é que nossa sociedade avalia a “feminilidade” primariamente não por nossos cromossomos ou por nossa genitália, mas por nossa aparência. O público em geral não tem muita dificuldade em aceitar que Laverne Cox é mulher porque, cara, olha só como ela é.

Como eu demorei bastante tempo para “sair do armário” até para mim mesma, eu perdi a oportunidade de interromper a puberdade dez anos antes. Muito dano já foi feito, e não pode ser desfeito. Tanto coisas sutis como coisas grandes – largura dos ombros, largura dos braços, tamanho das mãos e dos pés, altura, barba, e um pênis grande o suficiente para gerar volumes inconvenientes. As pílular de estrogênio e bloqueadores de testosterona são excelentes para se livrar dos pêlos do corpo (não da barba), mas ninguém presume que um cara de pernas lisas é uma mulher. E para uma pessoa que está no início da transição, cada ponta de barba é um soco nas gônadas – com as quais, aliás, nós também não estamos muito confortáveis.

Isso cria um medo muito real de não ser capaz de se “fazer passar”. E isso se torna ainda mais difícil por causa dos hábitos que nós construímos ao longo de toda vida. Eu demorei muito tempo para me acostumar a meu novo nome, e me sentia uma mentirosa por muitos meses quando eu me apresentava como “Christina”. Às vezes, quando eu gostava de alguém que havia acabado de conhecer, eu me apresentava com meu masculiníssimo nome de nascença – parte por causa da ansiedade, parte por causa do hábito.

A maior parte do trabalho que eu tive desde que saí do armário é feita com meus clientes, por telefone e pessoalmente. Isso quer dizer que constantemente confundem meu gênero por causa da má qualidade da ligação telefônica e minha relativa falta de experiência em soar como uma menina. Sim, sua voz permanece a mesma – algumas pessoas são tão boas em simular a voz de outro gênero quanto Hugh Laurie é bom em fingir ser norte-americano, mas fazer a transição não vem com aulas de teatro de brinde.

Mas a certa altura eu deixei de me sentir uma mentirosa quando eu dizia para as pessoas que meu nome é Christina; agora eu sinto que estou mentindo quando eu utilizo meu antigo nome masculino. Num primeiro momento era esquisito sair em público – e ainda é, porque eu ainda tenho que pagar por milhares de dólares de eletrólise – mas nem de perto é tão ruim quanto era quando eu saía e agia como um cara. Andar sob o sol com um vestido de verão é literalmente tudo na vida, porque eu nunca me senti tão certa antes. As palavras que sempre me vêm à mente são “eu me sinto tão livre“.

Isso é algo que eu nunca havia vivido antes sem o auxílio de drogas. Mas agora eu consigo me olhar no espelho e, na maior parte das vezes, gostar do que estou vendo. Se isso não parece ser muita coisa para você, bem, é exatamente essa a moral da história. Pessoas como eu têm que percorrer um longo caminho apenas para chegar num ponto que para vocês é absolutamente corriqueiro. E muitos de nós nunca chega nesse ponto.

Quando não está se distraindo com as novas partes femininas de seu corpo, Christina Hitchens gosta de programar videogames, conversar com amigos, e trabalhar em sua autobiografia. Você pode conferir seu blog http://thebigideacollider.weebly.com ou escrever-lhe um e-mail.

Participe da discussão! Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Um comentário

Paula Flores

Como é dificil a auto-aceitação de transgeneridade e ao mesmo tempo, que paz de espírito trás na sua descoberta. Descobri minha disforia de gênero aos 59 anos. Sofrimento anos a fio pelo auto-preconceito pertinente. Faço terapia a um ano, mas não sou compreendido. No processo de transição, muito pouca ajuda de profissionais da saúde, psicólogos, psiquiatras, endócrinos e nutrólogos, até agora só me viram como um ET . Há ainda mais um complicante: sou casada a 16 anos e já tive 5 ex casamentos. Sou pai de 6 filhos destes relacionamentos. Estou sem saber como agir em relação aos amigos mais chegados, vizinhos e clientes. Muita dificuldade. De qualquer forma FELIZ na minha nova condição de mulher. Descobri uma força interna de luta muito grande apoiada pela minha familia, e por isso dou graças a Deus.

Reply