Bianca Del Rio conta bastidores da 6ª temporada de “RuPaul’s Drag Race”

Bianca Del Rio conta bastidores da 6ª temporada de “RuPaul’s Drag Race”

A vencedora da sexta temporada conta histórias dos bastidores do reality show e comemora: “ainda não tive tempo para gastar o prêmio!”

por Marcio Caparica

Traduzido da entrevista feita por Ollie James-Parr para o site GayStarNews

Nem todos esperavam que a rainha da ofensa Bianca Del Rio conquistasse o coração do público na sexta temporada de RuPaul’s Drag Race. Mas ela acabou levando a coroa para casa, após ser eleita pelos internautas a vencedora do reality show de drag queens. Desde então Bianca tem feito o tour do programa ao redor do mundo, e agora tenta arrecadar dinheiro para produzir seu próprio filme, Hurricane Bianca (Furacão Bianca). Nele, a drag interpretaria um professor de uma cidade do interior que, após ser demitido por ser gay, retorna toda montada para se vingar daqueles que a prejudicaram – um misto de Uma Babá Quase Perfeita, Tootsie e A Vingança dos Nerds. Durante sua passagem por Londres, ela concedeu a seguinte entrevista.

Há todo um buchicho aqui na Inglaterra sobre uma versão britânica de Drag Race, ainda mais quando tanto RuPaul como Michelle Visage já afirmaram estarem interessados nesse projeto. Como você acha que o programa se traduziria para o público britânico?

É claro que as pessoas que produzem o programa são bem espertas e entendem o que funciona para o público norte-americano, mas acho que levou alguns anos até que a versão original encontrasse sua fórmula. Se não me engano, até Ru mesmo já disse uma vez que eles no início tinham um conceito, com algumas tarefas e alguns desafios em mente, e com o tempo foram descobrindo o que dava certo. Então, quando eu cheguei, a máquina já funcionava perfeitamente. Eu acho que eles super conseguiriam fazer o programa funcionar no Reino Unido e, claro, ver drag queens desse nível competirem aqui seria incrível. Há tanta gente talentosa em vários países que simplesmente não tem como competir no programa nos Estados Unidos.

Sabe o que é engraçado? Quando eu vi o programa pela primeira vez, eu também tinha esse tipo de dúvida, se funcionaria ou não. “Ah, isso não é pra mim”. Eu não tinha certeza se gostariam do meu estilo de drag comediante, porque eu não via ninguém como eu lá, então conseguir conquistar esse momento foi demais. Uma vez eu estava conversando com Ru durante as gravações e ela me perguntou “Por que você decidiu entrar agora?”, e eu respondi “Sei lá!”. Eu nem sabia se ia dar certo, e ela estava toda “Por que você demorou tanto pra se inscrever?”. Eu disse que eu não tinha visto ninguém como eu no programa e ela rebateu “Porque você não tinha se inscrito ainda!”. Isso tudo pra dizer que eles abrem as inscrições para todos os tipos e todos os estilos de drag. Se não me engano nessa última temporada havia quatro concorrentes que tinham mais de 35 anos, eles estão expandindo os horizontes, acho que isso deixou o programa melhor. Com certeza há uma diversidade maior.

Qual foi o seu ponto alto durante o Drag Race?

A gente passa por tantos pontos altos e baixos durante a competição. Você é selecionada, e daí tem que aguardar alguns dias, daí você viaja, daí você fica lá, depois volta para casa, e fica sem poder falar sobre o que aconteceu pra ninguém. Daí eles anunciam o programa, e você fica toda contente durante a exibição do programa, fica mais e mais feliz, e de repente todo mundo começa a meter o pau em você, o que é pavoroso!

Sem dúvida é uma montanha-russa. Mas no fim, em retrospecto, já que para mim esse processo já começou há mais de um ano, o que você ganha é essa oportunidade inacreditável de ser você mesma. Digo isso sem qualquer trocadilho, apesar de estar montada com maquiagem e peruca. Na minha história de vida eu já tive trabalhos bons e trabalhos de merda. Participar do programa abriu tantas portas para mim que eu acho que meu ponto alto foi simplesmente fazer parte dele.

Eu não tenho dúvidas de que o processo me tocou e me testou como pessoa, algo que eu não esperava aos 38 anos de idade. Com certeza ele me ajudou de várias maneiras. O programa mudou minha vida de um jeito que eu não conseguia explicar, foi meio arrebatador. Eu sei que parece resposta de miss, mas é a verdade. Você não consegue perceber isso até estar lá dentro, e enquanto dura é um lugar maravilhoso de se estar. Eu me tornei amiga de Courtney Act, Darienne Lake e Adore Delano, e nós todas já conversamos sobre isso. É como estar no meio de um diamante, você ganha essa oportunidade incrível, foi tudo meio mágico.

Para mim, o seu ponto alto foi no desafio da comédia stand-up. Como você se sentiu naquela semana?

Foi uma experiência ótima. Eu estava toda preocupada porque Ru chegou numas de “Todo mundo espera que você seja engraçada!”. Eu não sou uma escritora, eu sou melhor no improviso, e aqui me chega um episódio que te coloca na situação de fazer comédia, e em seguida joga no nosso colo a única coisa que puxaria o tapete da gente: uma plateia de velhinhos.

Para a minha sorte, eu fui capaz de ver o que as outras meninas estavam fazendo, e tinha material já escrito e planejado. Na hora eu soube que não poderia usar nada daquilo, que eu tinha que jogar tudo fora. Eu resolvi então fazer o que eu faria normalmente numa boate, que é ser engraçada e falar com a plateia do jeito que eu sei fazer.

Esse era um momento em que eu tive que confiar nos meus instintos e deixar a bola rolar, porque era o que me restava. Foi superdivertido de se fazer, mas também é uma daquelas situações em que, se você é uma dançarina e aparece um desafio de dança, você fica com o cu na mão porque você não sabe o que eles querem ver. O que pra mim é engraçado quando eu estou num bar pode não ser engraçado para quem está na TV. Se você não se arrisca, não vai ser divertido pra ninguém.

Você já torrou seu prêmio de 100 mil dólares?

Eu já botei a mão na grana, mas não fiz nenhuma maluquice. Minha agenda anda tão lotada que eu nem tive tempo para gastá-lo ainda. Eu sou uma daquelas pessoas com o pé no chão – lembra, eu sou mais velha, então meu objetivo é comprar um apartamento. Isso é o que importa dessa jornada toda pra mim, graças a ela eu fui capaz de viajar e visitar o mundo todo, mas o cronograma é apertado, então não deu pra fazer muitas futilidades. Eu não tenho tempo pra gastar esse acué, o que é bom pra mim!

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2 comentários

Luiz

“A vencedora da sexta temporada”

Thanks for the spoiler 😉

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Outro Luiz

A sexta temporada já acabou faz um tempo e se você acompanha a página do Rupaul, não é um grande spoiler (se não nenhum) que Bianca del Rio ganhou.

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