Artista gay e negro mostra como o racismo e a homofobia são travestidos como ‘preferência’

Artista gay e negro mostra como o racismo e a homofobia são travestidos como ‘preferência’

Donovan Thompsom fala sobre o “colorism”, preconceito de negros contra negros; raciocínio também se aplica ao preconceito contra efeminados

por James Cimino

Você acha que o fato de você deliberadamente ter estabelecido que não gosta de negros, orientais, efeminados, gordos, idosos ou qualquer outro grupo é mera preferência. Não é. Você apenas embala seu preconceito em um embrulho palatável de forma a expressá-lo de forma inócua.

No texto abaixo, traduzido do post de Donovan Thompson para o “Huffington Post“, você vai entender o porquê.

“Eu normalmente não saio com caras negros, mas você é gostoso.” Ok, então eu devo dizer obrigado? Eu deveria estar contente que eu sou a exceção a sua regra, impulsionada, sem dúvida, por auto-aversão? Eu deveria me sentir aliviado que talvez, para você, meu nariz não seja muito grande, assim como meus lábios e meus cabelos não são tão crespos a ponto de compensar a minha pele muito escura? Bem, seu auto-ódio, não me excita e eu não estou muito feliz de ter sido seduzido pela sua ignorância.

O “colorism” é real e deixa meus nervos à flor da pele! Sendo um homem gay negro já é bastante difícil quando se considera todos os antagonismos em jogo, incluindo o racismo, tanto fora quanto dentro da comunidade gay, além da homofobia dentro e fora da comunidade negra.

Notem que eu recebi variações deste “elogio” extremamente idiota em várias ocasiões. Toda vez que isso acontece, eu me lembro de que eu abomino a ideia de ser uma exceção. Parabéns, você é escuro, mas de boa aparência! Bem, e se eu estivesse vestido de forma diferente, o que mudaria? Ser uma exceção é perigoso porque tudo que diz respeito a você se torna um ato de compensação. É uma mistura entre não ser exatamente o que as pessoas esperam (a ponto de você se destacar) e, ao mesmo tempo, ser apenas o suficiente para que você seja identificável em um grupo. Eu não estou interessado nisso. Prefiro ser excepcional. Sim, há uma diferença.

“O ‘colorism’ é quando as pessoas de cor discriminam outra pessoa de cor. Muitas vezes isso se resume à crença de que, quanto mais claro é o seu tom de pele, mais bonito você é, mais inteligente você é, mais bem sucedido você é. De acordo com a autora Marita Ouro, colorism é ‘a crise de saúde mental mais não reconhecida e sem solução em comunidades de cor ao redor do mundo’.” Oprah

Donovan Thompson,  artista, escritor e ativista

Donovan Thompson,artista, escritor e ativista

Eu nunca tive um problemas com a cor da minha pele, mas quando fiquei mais velho comecei a perceber que há um monte de pessoas que têm. Tenho ouvido de membros da família, amigos e até de estranhos sobre o seu amor por peles mais claras. Eu costumo fazer esta descoberta depois de pedir-lhes para descrever seu homem ideal ou a mulher ideal. Chamam isso de “preferência”. Eu desprezo essa palavra. Eu detesto o fato de que centenas de anos de escravidão física e mental, mentiras, manipulação de massa e de marketing podem ser perfeitamente apresentados a mim em um embrulho chamado “preferência”. Desculpem, mas essa não cola.

Há algo mais profundo sobre a noção de que alguém teria uma preferência ou uma atração intransigente pela imagem diferente de seu próprio reflexo. O que esse espelho está dizendo para nós quando estamos olhando diretamente para o rosto de todas as nossas inseguranças? Como é que a nossa confiança pode ser medida pelas imagens do padrão aceito de beleza que já consumimos ao longo dos anos quando eles estão vazios de tons mais escuros? Então, a gente pode até querer algo diferente, mas sabemos que isso é uma mentira. Eu odeio mentiras.

Eu olho para as qualidades extraordinárias em um homem. Eu não dou a mínima sobre a cor deles. Quem tem tempo para isso, especialmente com todos os psicopatas que temos que eliminar para chegar aos sensatos? Inferno, eu posso acabar com um belo alienígena se ele tiver planos de se estabelecer e de ter uma família. E eu não veria sua cor do mesmo jeito!

Agora vou planejar uma viagem para Aruba, para que eu possa pegar um bronzeado.

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42 comentários

Lenon

Eu concordo que muitas vezes a preferência é apenas um codinome para toda a bagagem de preconceitos vinculadas em toda a nossa sociedade, desde estórias para crianças como contos de fadas até filmes de cinema onde sempre existe aquele galã do tipo James Bond (Que criou o maior bafafá ao cogitarem colocar um ator negro para interpretá-lo no próximo filme), mas também acho que exista sim a verdadeira preferência, digo isso porque gosto é pessoal e pode variar muito de um para outro, logo o que é atraente para X pode não ser para Y e por assim vai.
Porém como disse Fernanda Montenegro “A beleza só importa nos primeiros 15 minutos.” , e seguindo esse pensamento que sim, eu concordo, significa que podemos os aproximar de alguém por acha-lo interessante e depois descobrir que não era bem aquilo e que não valia a pena, mas também podemos seguir o caminho inverso e nos aproximar de pessoas que não sejam colírios para nossos olhos de primeira, mas que afinal, tenham algo para oferecer e acabar descobrindo que vale mais a pena a segunda opção. Assim como a pessoa perfeita para você seja a que você considera mais linda do mundo também, sorte em dobro, mas enfim, eu acho que o importante é não deixar preconceitos te afastarem das pessoas, nem que seja apenas para conhece-las melhor.

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Túlio

Querido, o gosto é uma construção. As preferências são criadas desde o momento em que o bebê está sendo gerado na barriga da mãe. Acontece porém que o texto é bastante genérico e não narra o processo de construção do que se chama preferência ou gosto. Isso é tão presente no consciente coletivo, que sempre há a desculpa de que é possível se atrair por alguém que não é tão belo. Não teria racismo nesta construção? Um negro não seria tão belo quanto um branco? Dai quando se trata de um negro a gente diz que ele possa ter bom caráter, ser gente boa, legal, bonito por dentro???? Heloooou. Uma criança aprende desde a infância o que os contos de fadas as ensina, quando usa qualitativos para falar da beleza das princesas e rainhas brancas, ou dos príncipes brancos e olhos claros. Percebam que o mal é sempre representado pela cor preta. As empresas de propaganda utilizam-se da branquitude para esboçar sofisticação e beleza. Até atores negros são clareados nas pós-produções. Percebem que ao final dos anos 1970 e meados dos anos 1980, a cantora Grace Jones e a África entraram para o cenário internacional pelo exotismo, apresentaram ao público a androgenia norte-africana, centro-sul africana. Falaram e construíram uma beleza de negros. Todo esse movimento parecia abrir o debate para a compreensão de uma ideia plural de padrões e não-padrões de beleza. Mas acontece, porém, que tudo não passou de um momento, de uma febre. Atualmente o cabelo crespo livre é condenado, faz-se cirurgias plásticas para que se tenha nariz afunilado, alisamentos para doutrinar os fios tidos como rebeldes, e a cor é cada vez mais clareada, seja por efeitos de pós-produção na propaganda imprensa ou televisiva. Quer-se a branquitude a qualquer preço. E a preferência de alguém por um tipo físico acaba sendo uma escolha articulada por um movimento. Quer-se que agora se tenha imagem em moldes estabelecidos para um padrão de consumo. E quem não tenha, que pague para ter, com a vida ou com a dignidade. Vendam-se! Está é a lei do mercado.

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Cesar

Existe esse discurso segregacionista travestido de “preferência”. Não importa o que a pessoa seja, se ela te dá tesão, ela te dá tesão, e pronto. Mais simples impossível. Por que se privar disso ou daquilo? E mais importante: pra quê?

Vendo pelo outro lado da moeda, ninguém tem culpa de sentir atração somente por certos tipos físicos. Acontece.

Mas muitos gays sofrem de uma espécie de síndrome de conto de fada. Esperam o príncipe encantado chegar montado no cavalo branco e estender a mão. Esperam tanto que se cansam. De repente aparece um cara legal que é bom de cama, boa compahia, tem bom caráter, é educado, gentil e atencioso, mas como não é bonito, jovem, rico e muito menos perfeito, não querem assumir e até escondem o seu prazer culposo dos outros. Quantas vezes esse cenário se repetiu?
É como se o gay tivesse a urgência de se provar para a sociedade para compensar a sua homossexualidade inata.

No fim das contas tanto faz se for efeminado ou quer que seja. O preconceito atinge a todos.

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Adonis

Concordo totalmente. Também já ouvi comentários sobre o caráter “excepcional” que alguns traços meus imprimem a despeito da minha composição mestiça (majoritariamente afro).
Demorei a captar o subtexto, confesso. Isso aconteceu há relativamente pouco tempo e a leitura do seu texto ratificou o que inferi.
O curioso (e apavorante) é que fiz um exame de consciência e me flagrei, sim, em diversos momentos sendo um adepto do “colorism” no passado.
Estou curado e hoje sou tropicalista (meu nome é Gal). E também me casaria com um belo alienígena verde-musgo se esse tivesse um caráter são.

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Caio

Não concordo com ele. Falando por mim: eu não sinto atração por homens muito brancos, também não sinto por ruivos, pois eles em geral são muito brancos também, apesar de terem aparecido algumas exceções. Também não sinto aquele desejo por negros em geral. Porém, quando ele (negro) é bem bonito e sexy ao meu olhar, isso naturalmente me faz ficar atraído por ele; o que pode se comparar com a frase que o cara do post ouviu, que ele é negro, MAS bonito. No entanto, fica claro que no contexto em que ele ouviu soou preconceituoso, o que é diferente do meu caso.
Tudo depende da forma como falamos. Por exemplo, é melhor eu chegar num homem negro que me atraiu e dizer que ele é bonito como homem, sem precisar dizer, “nossa você é negro, MAS é bonito”, como se estivesse exaltando que ele ao menos tem uma qualidade para compensar sua cor “degradante”. Ou ” não curto afeminados, é questão de atração”, ao invés de dizer “se curtisse afeminados, seria melhor ficar com uma mulher” e pior ainda se acrescentasse isso “afinal só curto o que é original”. Aí sim, é discriminação, pelo menos ao meu ver.

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Axiel

Discordo em parte do pensamento dele… Entendo a mensagem q o autor quer passar, porém também há pessoas que tem preferências por negros, mais altos, mais baixos, loiros, morenos, gordos, carecas, magros, peludos e etc… Acho q ele sofreu algum tipo de injúria e isso fez com que ele sentisse raiva dessas preferências no mundo em geral… sei lá!

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Lyan

Texto apelativo esse hein? Com base nele, sou um puto preconceituoso!
Preferências existem sim. Se não fosse assim, seria preconceito eu preferir ficar com mais novos. Ou preferir ficar com meninos pareciudos comigo. Mesmo não vendo problema algum de pegar um negão (já peguei varias vezes), prefiro um menino branquinho, e creio que isso não esteja ligado com preconceito poha nenhuma

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Mateus R.D.

A propósito deste assunto e a quem interessar possa, e por falar em preconceito, sugiro o seguinte vídeo neste link abaixo. Talvez alguém ja tenha visto, se não viram creio que vão achar mto bacana. Há sim esperança…

“Preconceito não é algo natural. O amor é!”

https://www.youtube.com/watch?v=8TJxnYgP6D8

Abraço a todos.

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Rafael

Achei muito interessante o artigo, nos coloca no lugar de um jovem negro tentando entender essa “preferência” quase onipresente na sociedade, o fato dele usar o exemplo de sua família chamou bastante atenção também. Esses ideais, que nos aprisionam e condicionam a nossa felicidade sem que a gente perceba aparecem de diversas formas na sociedade e na comunidade gay como por exemplo o cara que gosta de ursos, de gordos, de velhos, de novinhos….etc, o fato é que por trás desse gosto sempre existe algo, parte biológico e parte construído pela sociedade, mas só quando essas “preferências”, nos prejudicam de alguma forma, como parece ser o caso dele, é que passamos a nos perguntar o porque de certos padrões. Acho que acontece algo parecido quando se é gay e jovem, vc tem poucas referências positivas na família, na mídia, e isso te deixa frustrado, se sentindo desajustado ao meio em que vivemos. Com ele acontece o mesmo, pelo fato de ser negro em uma sociedade majoritariamente caucasiana como a americana.

PS: Adoro o trabalho de vocês, jornalismo com opinião, tanto no blog quanto no podcast.

PS2: Já vi muito perfil de caça escrito “só curto caras brancos mas não tenho preconceito”…

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Tamires

Quem é este ‘eu’ que tanto citamos ? ‘Eu’ prefiro isso a assado… eu,eu,eu … acredito seriamente que este eu é um ser instituído… somos sacos vazios que são enchidos pela tal ‘sociedade’. Temos então o ser social. Creio que no texto Donovan tenta levar a mensagem de que nossas preferências talvez não sejam tão nossas. É indiscutível o quanto o fator histórico da lamentável hierarquia racial é influente nas nossas mentes. Somos pessoas,humanos em seus diferentes âmbitos biológicos,culturais e sociais. Dizer que não gostamos de ‘brancos’,’magros’,’altos’ que sejam;é simplesmente generalizar e desprezar de certa forma toda a diferença e pluralidade existente. Arrisco em dizer que nosso erro talvez seja trocar a parte pelo todo.A metonímia presente em nossos ‘achismos’ ou ‘preferências’ é oque leva ao preconceito.Não que isso nos torne seres preconceituosos mas nos faz discursar de forma preconceituosa.Como disseram ‘não é porque não se sente atração por certo negro que não poderá sentir por qualquer outro negro do mundo’. Até oque nos atrai é instituído… vejamos por exemplo a imagem de beleza vendida pela mídia,são insignificantes os exemplos de pessoas negras comparada ao exemplo de pessoas brancas. Isto com toda certeza influencia nos gostos pessoais. A pessoa então se apega ao que a mídia vende,achando que aquilo é oque lhe é de preferência. Enfim acredito nisso ! Aliás visitei o site pela primeira vez hoje e achei bem interessante,parabéns aos que o fazem. Se cuidem pessoal,beijo…

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Tamires

Quem é este ‘eu’ que tanto citamos ? ‘Eu’ prefiro isso a assado… eu,eu,eu … acredito seriamente que este eu é um ser instituído… somos sacos vazios que são enchidos pela tal ‘sociedade’. Temos então o ser social. Creio que no texto Donovan tenta levar a mensagem de que nossas preferências talvez não sejam tão nossas. É indiscutível o quanto o fator histórico da lamentável hierarquia racial é influente nas nossas mentes. Somos pessoas,humanos em seus diferentes âmbitos biológicos,culturais e sociais. Dizer que não gostamos de ‘brancos’,’magros’,’altos’ que sejam;é simplesmente generalizar e desprezar de certa forma toda a diferença e pluralidade existente. Arrisco em dizer que nosso erro talvez seja trocar a parte pelo todo.A metonímia presente em nossos ‘achismos’ ou ‘preferências’ é oque leva ao preconceito.Não que isso nos torne seres preconceituosos mas nos faz discursar de forma preconceituosa.Como disseram ‘não é porque não se sente atração por certo negro que não poderá sentir por qualquer outro negro do mundo’. Até oque nos atrai é instituído… vejamos por exemplo a imagem de beleza vendida pela mídia,são insignificantes os exemplos de pessoas negras comparada ao exemplo de pessoas brancas. Isto com toda certeza influencia nos gostos pessoais. A pessoa então se apega ao que a mídia vende,achando que aquilo é oque lhe é de preferência. Enfim acredito nisso ! Aliás visitei o site pela primeira vez hoje e achei bem interessante,parabéns aos que o fazem. Se cuidem pessoal,beijo !

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Wagner

Olá pessoal do Lado Bi, gostaria de parabenizá-los pelo trabalho e também sugerir que vcs falassem sobre a preferência por um tipo de pênis, como a galera que só curte não-circuncisados ou pênis grande. Outra sugestão é sobre os que são exclusivamente ativos ou passivos, obrigado.

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Marco

Há muito exagero nessa leitura. Ter uma preferência ou fetiche por um biotipo não é preconceito. O texto não leva em conta que existem muitos homens brancos que não curtem loiros, ruivos. E os homens que só curtem negros ou asiáticos, eles também são racistas? E os caras magros que só curtem gordos e não saem com gente magra, tb estão na lista?

Cara, fetiche e apetite sexual não dá pra controlar. Existem caras gordos que só transam com magrelos e, mesmo assim, só se estiverem vestidos de mulher, e aí, o cara tb é preconceituoso?

Da mesma forma existem caras que não gostam de pessoas que se pareçam fisicamente com eles mesmos e também existem o oposto, caras que curtem outros caras que se parecem com eles, como foi bem mostrado aqui numa matéria anterior sobre os boyfriendtwins.

O colorism existe da mesma forma que existe o preconceito de gays contra gays, mas não dá pra generalizar e dizer que todos os negros que só saem com brancos é racista. Da mesma forma que existem negras que alisam os cabelos existem brancas que fazem permanente. Cada um tem o direito e ter a liberdade de seu corpo!

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James Cimino

Veja bem, Marco. Eu não acredito nessas generalizações. Nunca acreditei. Nunca aceitei esse papo de “ai, não é meu tipo”, sabe por quê? Por que há caras de todos os tipos que me agradam. Eu também falava isso de orientais. “Não curto, embora tenha muitos amigos assim e blá blá blá.” Ano passado conheci dois orientais que calaram a minha boca. Então, o que o texto fala é que há muito mais além da superfície que deve ser levado em consideração. E sabe por quê? Porque é muito legal se surpreender. 🙂

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Marco

Eu concordo que podemos nos surpreender, eu por exemplo gosto de gordos, mas n significa que eu vá gostar de todos os gordos.

Talvez a questão aqui seja até que ponto a preferência sexual é influenciada pelas questões sociais como a discriminação racial e de gênero. Quem sabe algum estudo científico possa vir a se aprofundar essa questão, mas o fato é que ninguém controla as preferências da própria libido.

O apetite sexual é cruel mesmo e dói muito saber que somos escolhidos pelas nossas características físicas, mas infelizmente é assim que funciona. Tanto é que a indústria de cosméticos faz fortuna por conta de mulheres desesperadas para segurar seus homens nos seus relacionamentos. Isso sem contar os outros fatores como personalidade, caráter do indivíduo.

Eu conheci um cara, por exemplo, que transava com muitas mulheres negras, mas vivia fazendo “piadas” racistas para elas depois. A sexualidade é mesmo muito complexa.

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anony

Nossa… isso eh imcompreensivel pra mim. Sofri o mesmo. Meu ex me chamou de mulherzinha, viadinho, depois de um tempo de relacionamento. Nao entendo pq ficamos tanto tempo para depois ele me agredir.Questoes complexas.

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JUSTO FAVARETTO NETO

realmente há de se analisar, assim como tudo na vida. Sendo branco e sentindo atração por negros já ouvi dois comentários, um é que eu sou racista e , talvez incoscientemente, quero o negro como escravo sexual , como sendo uma pecha de racismo! Agora leio o inverso: ” aquele que NÃO sente atração por negros” é porque, em sua preferência há uma pecha de racismo por questões históricas!!!! Há de se questionar tudo na vida e cada vez mais ter menos respostas…

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João Vitor @abelunname

Acredito muito que na busca pela igualidade de todas as pessoas existe também uma massificação de preferências. Digo, qualquer preferência pode não estar escondendo um preconceito. Nada me obriga a gostar de gente loira, eu não gosto e ponto final. Não quer dizer verso um preconceito as pessoas de pele muito clara. Até porque se eu tenho que estar aberto a todas as escalas de cor e pessoas, porque gay se limitam ao corpo masculino? Se preferir é uma forma de ocultar preconceito então os gays estão sendo preconceituosos por preferir homens? Essa é a questão que me intriga mais. Eu sempre acho que pessoas que se declaram muito abertas estão sendo não verdadeiras com a própria alma. Eu acho impossível, do meu ponto de vista, me envolver com uma pessoa que não encontra em mim nada que o interesse genuinamente. Todo mundo desenvolve suas preferências, elas não são sempre fatores determinantes, mas são pontos que atraem. Quantas vezes podemos achar que o cara com 5 mil pontos que preferimos fisicamente seria O Cara e não é. Assim como aquele cara que tem só 2 ou 3 itens que te agradam te deixa mais atraído. Não quero que fique muito confuso o meu ponto de vista, mas resumindo me sinto um pouco perdido quando me sinto obrigado socialmente a dizer e fazer as coisas baseado numa ideia geral.

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Antonio

Tem um episódio do programa Espelho onde o Lázaro Ramos entrevista uma socióloga chamada Claudete Alves sobre uma pesquisa que ela fez sobre como (e porque) os homens negros preferiam se relacionar com mulheres brancas. Quando eu ouvi falar a primeira vez, achei um absurdo a pura idéia da pesquisa, mas depois fui ver a entrevista dela. A questão, vejam bem, não é obrigar ninguém a gostar de nada. Era entender como funcionam os mecanismos que geram e/ou alimentam o desejo “de cada um”, que são na verdade construídos socialmente.
A questão dessa campanha dos caras que são/curtem afeminados, creio eu (e espero), não é obrigar ninguém a nada. É expor o quanto esses padrões estéticos e morais irreais influenciam a sociedade e todos nela. É basicamente como aquelas meninas da campanha do suvaco peludo. Elas não tão querendo ser objeto de desejo de ninguém, nem ser o novo padrão de beleza. Em ambos os casos a questão é de aceitação, de não ser discriminado nem recriminado por desmunhecar ou não se depilar. É tipo a campanha pelo casamento gay. Não tá falando que todo gay tem que casar, muito menos que quem não é gay tem que casar homoafetivamente. É só não quererem mais ser subcidadãos.

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Mateus R.D.

Putz, lá vem mais polêmica! Bem, então vamos lá. Já no título eu imaginei do que trataria o post, e no primeiro parágrafo confirmei que era realmente isso mesmo. Apesar de ser apenas um post (muito bacana por sinal) é sempre muito válido o debate sobre essa questão.

Antes, peço licença ao James para recortar tuas palavras (seu 1º Parágrafo):

“Você acha que o fato de você deliberadamente ter estabelecido que não gosta de negros, orientais, efeminados, gordos, idosos ou qualquer outro grupo é mera preferência. Não é. Você apenas embala seu preconceito em um embrulho palatável de forma a expressá-lo de forma inócua.”.

Na verdade James eu (e falando somente por mim, óbvio) nunca “estabeleci” nada, nunca delimitei quais biotipos eu iria me interessar ao longo da minha jornada, mas sim apenas com o tempo fui entendendo quais biotipos me sentia mais atraído, e hoje tenho total clareza e certeza daqueles que realmente “me balançam”. Nada foi previamente “estabelecido” por mim, mas sim “constatado” posteriormente por mim ao longo do tempo e das experiências vividas (por mim, claro).

Resolvi que ao invés de tentar rebater teu ponto de vista (não o todo, mas uma parte) vou apenas deixar algumas pergunta no ar ao final das minhas palavras, se alguém puder me responder (com total sinceridade, sempre, claro) eu agradeço .

Bem, eu sou branco (loiro), alto, magro, olhos azuis e obviamente não me sinto (nem sou) melhor por assim o ser. Também sou gay (mesmo que enrustido ainda) mas ainda assim sem deixar de viver e de amar. Também sou másculo (e não machão nem machista – eu disse másculo), e novamente não me sinto melhor (nem pior) por ser assim, e também não escolhi ser assim, simplesmente eu sou assim e seria muito difícil eu tentar mudar isso em mim. Este sou eu – Mateus.

Falando das minhas preferências agora: eu não sinto muito ou nenhum interesse sexual por caras baixinhos, gordinhos, afeminados (ou efeminados, não sei qual a escrita correta, me ajudem…), nem por caras muito altos, negros, de maior idade, apesar de obviamente não ter nada contra todos esses biotipos. Simplesmente não me excito, não me dá tesão, não me atrai, não me balança. Isso não implica que eles devam se sentir inferiores por eu não sentir tesão por eles (claro), da mesma forma como alguns podem não sentir tesão por mim e eu entendo perfeitamente. Todo mundo é interessante para alguém e todo mundo não é nada interessante para outro alguém. Gosto é gosto e gosto e não se discute. (Desculpa o PS. no meio do texto, mas você por exemplo James, me provoca profunda atração, com todo respeito, claro, até porque tenho namorado e escolhi não o trair…….. é só uma observação mesmo – uma simples constatação, ………..já por Reinaldo Gianecchini não sinto absolutamente nada, ainda bem porque ele não iria me querer mesmo, Rs. Simplesmente não sinto atração por ele, mas por você sim).

FALADO SÉRIO NOVAMENTE , HOJE EM DIA EU SINTO UM MEDO DANADO DE APANHAR (verbalmente falando) AO DIZER QUE “não tenho nada contra algo ou alguém” PORQUE MUITOS ENTENDEM ISSO COMO PRECONCEITO IMBUTIDO, VELADO (ou inócuo, como queiram preferir). TENHO MAIS MEDO AINDA AO DIZER QUE “até tenho” AMIGOS NEGROS, GORDINHOS, GAYS, ALTOS E BAIXOS, MAIS VELHOS. MAS REALMENTE TENHO, É FATO!

É aí que eu queria chegar: por ser como eu sou e por ter essas preferências que eu tenho, eu sou um cara PRECONCEITUOSO? Eu sou um GAY MACHÃO?

Curiosamente tudo o que eu tenho lido aqui no blog e fora daqui começa a passar pela minha cabeça que eu “PODERIA” ser preconceituoso por não me sentir atraído por “certos” biótipos. Logo eu que sempre lutei tanto contra preconceitos e pela busca do respeito a tudo e a todos. Se realmente eu sou preconceituoso eu não sabia que o era, e fico muito triste por assim o ser, mas o curioso é que eu tinha certeza de que não o era. Eu sou obrigado a sentir tesão por gordinhos, por negros, por afeminados? Se for me avisem que termino o meu namoro com meu “moreno claro” e vou tentar ver se gosto de “outros biotipos”.

Não me refiro apenas ao post do James, e também não tentem me dizer que eu não entendi as palavras dele, ou que o post não era pra mim, ou que era pra mim sim e a “carapuça serviu”. Sem clichés ou frases batidas, estamos apenas debatendo, por favor. Na verdade eu me refiro a tudo o que o que vem sendo escrito ultimamente (em forma de enxurrada), dentro e fora deste blog. As vezes sinto-me como se quisessem me rotular, me punir, me engessar, me culpar, me taxar. As vezes sinto como se quisessem impor a mim um “open your mind” goela abaixo (mente abaixo). Acho que não iria adiantar muito pois eu sei daquilo que gosto, bom ou ruim, mas gosto.

Acho que sei o que vão me dizer: que as palavras não eram para mim. Mas minha dúvida é a seguinte: em se tratando da mega-super-hiper diversidade de pensamentos que podem coexistir dentro da mente humana (sentimentos, desejos, inquietudes, preferências, excitações) será mesmo que existe tanto preconceito assim? Será que as preferências de cada um (sendo maioria ou minoria, sendo bom ou ruim) não seriam apenas algo a se constatar e se respeitar, gostei ou não? Preferências não são simples preferências? Ou será que além de preconceituoso eu sou ingênuo e as pessoas não são tão boazinhas assim como eu as vejo? Será que o que eu entendo como preferência é na verdade preconceito? Eu sou preconceituoso? Se acharem que sim, peço desculpas e prometo mudar.

A todos um forte abraço.

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Mateus R.D.

Pessoal, me desculpem voltar ao assunto, mas faltou dizer 3 coisas:

1- Não estou dizendo com minhas palavras acima que eu “acho” que estou certo no meu ponto de vista, nem que a opinião do post está aquivocada, apenas quero dizer que tenho minhas dúvidas com relação ao que foi argumentado pelo post a partir da opinião do autor e do artista em foco.

2- Também não quero dizer que não há preconceito (seria uma estupidez a minha). O preconceito não só existe como é o pior “câncer” da raça humana. Apenas creio que nem tudo o que julgamos se tratar de preconceito é de fato preconceito, assim como podem existir certos tipos de comportamento que a primeira vista não parecem ser preconceito mas no fundo é. Eu tenho minhas dúvidas até que ponto uma “simples preferência” pode ser preconceito. O fato é que, em se tratando de preferências sexuais eu não creio que seja preconceito. Mas também não tenho certeza.

3-Desculpe-me por alguns erros de portugues, é pelo avançar da hora.

Outro abraço a todos

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Bruno

Matheus, concordo que é extremamente natural se sentir mais atraído por determinados biotipos, mas acho válido questionarmos o que faz com que a maioria da população sinta-se mais atraída por um determinado grupo e padrão estético.
Eu, por exemplo, não sinto uma atração muito forte por gordos. Poderia achar que isso se resume a um gosto pessoal sem grandes implicações, mas sei que não é. Sei que vivo em uma sociedade que impõe padrões de beleza e, querendo ou não, internalizo muitas das noções preconcebidas do que deve ser considerado belo e atraente e, justamente por saber disso, trato essa minha não atração por gordos não como uma simples preferência, mas como algo que precisa sim mudar. Não estou dizendo que tenho de me forçar a ficar com homens gordos, mas que preciso reanalisar esses padrões impostos e abrir a minha cabeça para o diferente. Sei que quem perde com essa limitação sou eu, que deixo de me abrir pra milhões de possibilidades com caras super legais por algo tão superficial, por isso acho necessário que eu mude.
Quanto à homofobia entre gays, acho algo real e extremamente grave. Quando comecei a me descobrir, também adorava dizer que, “apesar de não ter nada contra, não curtia afeminados”. Hoje, felizmente (obrigado, feminismo!), eu consigo ver a carga machista e preconceituosa que uma frase dessas carrega. Não há nada de errado em não ter trejeitos e ser naturalmente mais másculo; inclusive, seria uma violência te forçar a adotar um determinado comportamento só para parecer mais cabeça aberta, o grande problema que eu vejo nos grandes machões gays é como tudo isso é posto (não só por eles, mas por toda a sociedade). O “ser macho” é colocado como uma categoria melhor a ser desejada e cultuada e o afeminado como uma subespécie. As pessoas tentam se afastar de todas as maneiras de tudo que lembre qualquer traço homossexual, como se dissessem “olha, eu não sou tão diferente do que é considerado normal, apesar de curtir homens, sou praticamente um hétero!”. Parece um grito desesperado por aceitação. Frases que leio normalmente no grindr, hornet e afins postas com orgulho em alguns perfis são bem ilustrativas dessa aversão a qualquer coisa que possa denunciar a sua homossexualidade: “não curto assumidos”, “não curto viado”, “não frequento o meio” e o clássico “não curto afeminados”.
A sociedade, por sua vez, incentiva esse comportamento como se os gays machos fossem menos ofensivos para a manutenção da sua estrutura. Vi uma fala em um documentário uma vez que é bem ilustrativa disso: “a sociedade começou a aceitar o homossexual, mas ainda não aceita sua homossexualidade”. Você até pode ser gay, mas, por favor, não fuja muito do padrão imposto.
Eu tenho muito pena dessas pessoas, pois considero um dos grandes baratos de ser gay justamente questionar esses padrões de sexualidade e comportamento de gênero impostos. Foi realmente libertador perceber que não tinha mais que me preocupar em não parecer mais o macho alfa. Agora não me preocupo em ser macho, afeminado ou qualquer outra coisa, só quero ser eu, sem um molde pronto pra ser encaixado.
O que eu quero dizer com tudo isso é que, por mais que nos consideremos livres de preconceitos e cabeça aberta, vivemos em uma sociedade que nos impõe comportamentos. Internalizamos as maiores barbaridades e precisamos nos policiar o tempo todo para evitar deslizes. Vomitamos pequenos racismos e machismos aparentemente inofensivos ao longo do nosso dia sem perceber como ajudamos com isso a manter uma estrutura de comportamento social bizarra.
Por fim, por favor, não considere isso um ataque ou crítica, é só um convite a reflexão. Os nossos preconceitos estão muito arraigados e frequentemente passam despercebidos como preferências pessoais, por isso é preciso que nos vigiemos constantemente para evitá-los. Pode parecer chato essa vigília sem fim, mas acho que é um preço justo para acabarmos com todas essas preconcepções de mundo que tanto nos incomodam.
Desculpe a escrita meio descoordenada e eventuais erros, tô meio sem tempo agora! Depois volto pra ver se consegui deixar claro a minha opinião!
Abraço!

Reply
Mateus R.D.

Bruno, deveras! Suas palavras foram irretocáveis e concordo 100% com elas. É mais ou menos o que eu disse acima: nem tudo que parece ser de fato é, e muito daquilo que não parece ser as vezes é – refiro-me a preconceitos. O fato é que devemos sim (e sempre) nos policiar na tentativa de despir desses pequenos preconceitos encrustados na nossa educação e criação. Se assim agirmos, no mínimo nos tornaremos pessoas melhores. Conseguir isso é outra coisa, o importante é tentar, e sempre, sem contudo perder a nossa individualidade e essência (nossas reais preferência). Abração, e tenho dito.

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João Vitor @abelunname

Concordo muito com tudo que disse. E sempre me sinto sendo uma péssima pessoa quando me encontro como negro ou moreno claro – como você citou – que não sente tesão por negros. Eu também não sinto tesão por mulher, seria também um preconceito? Acho que a liberdade é de fato uma prisão enorme, e tudo que preferimos sempre será usado contra nós mesmo. Em vários âmbitos da vida: musicalmente, sexualmente, socialmente. O blog é muito interessante pelo modo que coloca as coisas, mas ainda acredito que esse instinto mais primordial que rege o que nos atrai ou não deve ser respeitado e não encarado como uma segregação de preferências.

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Mateus R.D.

João Vitor, me intriga e me incomoda muito esse falso moralismo existente hoje em dia, principalmente na internet onde basta se opinar do outro lado da tela, não sendo necessário mostrar as “fuças”. Hoje qualquer assunto viraliza e a palavra se torna uma arma poderosa de poder, opressão, dominância e principalmente superioridade. Na prática meu caro, não muda nada, e sabe porque? O ser humano é muito previsível, é tudo muito parecido, muda muito pouco de mente para mente, de corpo para corpo, de desejo para desejo. Quero dizer que todos acertam e erram, todos tem defeitos e qualidades, todos tem um o seu lado libertário mas também trazem um preconceito embutido. É normal! E é justamente por isso que todos são iguais e ninguém é melhor que ninguém, independente de raça, cor, orientação sexual, tipo físico, religião ou idade.

De fato existe muito preconceito sim, claro, e ele precisa diminuir (combater é uma palavra muito forte, até porque preconceito advém da falta de informação, portanto só a educação para diminuir este triste status), e a brasileiro ainda é em sua maioria um povo muito preconceituoso, conservador e machista. Mas o engraçado é passei grande parte da minha vida camuflado de hetero por morrer de medo de sofrer preconceito se alguém soubesse que eu era gay, daí resolvi assumir para mim a minha orientação sexual e viver realmente o que sou, e pasme, agora é que estou sofrendo preconceito, e pior, dentro da classe gay. Sofro preconceito por ser másculo, sofro preconceito por ser tímido, sofro preconceito por ser ativo, sofro preconceito por ser inexperiente, sofro preconceito por ainda sentir tesão por mulher, e pior, sofro preconceito por não ser assumidamente gay. Muitos dizem que o preconceito está em mim, mas eu procuro e procuro e procuro e não acho. Pode ser que esteja, mas eu tento sempre entender e respeitar o comportamento de todos, mesmo que a maioria não respeite o meu, e sinceramente, não acho que sou preconceituoso, não quanto a “preferencias”.

Dias desses eu estava pensando: será que eu tenho preconceito com alguma coisa? Descobri que como quase todo ser humano tenho também e vou lhes confidenciar. Um deles por exemplo, assumo: eu não me relacionaria sexualmente com alguém que fosse declaradamente HIV positivo. Ainda não tive tempo de assistir o último programa sobre o tema, imagino que deva estar muito bom. Sei quase tudo sobre a doença, sei das formas de contaminação e de proteção, trabalho nesta área, mais ainda assim tenho medo, e assumo que esse medo é preconceito, e tento mudar e vou conseguir mudar. Meu melhor amigo gay se tornou soropositivo, sofreu muito claro, mas se fortaleceu e só depois de forte novamente e que me contou da doença e eu quase pirei. Confesso que chorei uma semana sem parar, sofri muito mais que ele mesmo, até ele me dizer que eu não precisava sofrer tanto. Resultado: é preconceito e é meu, cabe a mim primeiramente reconhecer que é preconceito e depois lutar contra isso. Agora em se tratando de preferencias eu não suporto mais me sentir mal por não sentir atração pelos tipos físicos já citados, principalmente por negros. Assumo e repito, acho uma maravilha a beleza negra mas não me sinto sexualmente atraído, e não acho que isso seja preconceito. Pelo menos não no meu caso.

Abraço a todos

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Caio

Ah meu por favor né, achar que não sentir atração por mulher é preconceito? Aí já é exagero do politicamente correto. Não exagere nas suas reflexões.

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James Cimino

Mateus, querido. Olha só, eu acho que todos nós somos ou fomos racistas, misóginos, homofóbicos e machistas, mesmo sem perceber. Porque existe uma coisa muito importante quando se fala em preconceito. Ele é silencioso. Ele está naquelas ações que fazemos por repetição de um padrão que nos é imposto. Veja meu exemplo. Eu sempre dizia isso sobre orientais. Que eu não tinha nada contra, sou cheio de amigos orientais, mas que não me sentia atraído. Aí, no ano passado, fiquei com dois japoneses que me deixaram de pernas bambas. Então, veja, o que esse texto quer dizer é: não é possível que no universo de todos os negros do mundo não haja um que não vá te agradar a despeito de sua cor de pele. E se mesmo assim um cara te atrair e você não quiser ficar com ele só porque ele é negro, então você estará sendo racista. Isso, no entanto, não quer dizer que eu ache que você seja um cara que defenda a volta da escravidão ou a superioridade dos brancos sobre os negros, mas esse comportamento adquirido é um resquício silencioso de racismo. 🙂 E, veja só, você não curte baixinhos, e aqui estou eu pra quebrar esse paradigma. hehehehehe

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Mateus R.D.

James, quem sou eu para dizer “dessa agua não beberei” até porque essa água é tão saborosa, Rs. Já paguei a língua tantas vezes e ainda acho que vou pagar muito ainda. Afinal é pra frente que se anda, como diria um grande amigo com seu humor negro: “se até câncer evolui, porque a gente não?”. Quem sou eu para dizer que jamais vou ficar com negros ou orientais, baixinhos ou gordinhos, Rs. Mas há que se discutir sim! Preconceito se discute sim e preconceitos não são para se guardar e sim para se despir, quebrar e jogar no lixo. Agora, gostos já são mais complicados de se discutir. Para concluir, nem te acho tão baixinho assim. É meu número. Rs. Abração.

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Mateus R.D.

PS 2: A missão: Se o seu “Querido” não for de ironia, eu ganhei o meu dia. Rs.

PS 3:O retorno: Muito bacana a tela do D. Thompson ao colorir o negro desbotado e errante Michael Jackson, meu eterno e pobre ídolo.

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James Cimino

Não foi ironia, rapaz. Fica tranquilo. 🙂

tom

“Sofro preconceito por ser másculo e ativo”.

Eu li isso?

Cheguei a ficar com pena, branco, estudado, másculo, ativo, que vida horrível deve ser, o Brasil e o meio gay realmente rejeitam gente assim.

Mateus R.D.

Tom, na verdade eu refiro-me a rotução que imprimem a gente, o que é uma grande bobagem. Qualquer ser humano pode ser o que quiser (com responsabilidade, claro) sem que suas preferências sejam eternas verdades absolutas. A comunidade gay tem muito disso de rotular as pessoas, e engessá-la a um certo estereótipo, nicho, comunidade, o que tambem é um tipo de preconceito velado. Obviamente temos nossas preferências mas isso não significa que viveremos “encaixados” neste mesmo caminho para sempre. Abraço.

Rodrigo R

Vou dar o meu depoimento aqui, pois vcs no meio da discussão seguiram a linha de raciocínio que eu tbm segui, mas não é indireta… apenas o meu comentário sobre o tema, dentro de uma linha de raciocínio.Desculpe a minha maneira um pouco irônica, mas sou assim mesmo. É a primeira vez que escrevo no blog, e gostaria de estar contribuindo com a minha opinião e experiências. Podem comentar, mas não é direto e nem provocativo a ninguém Ok?

Então, sou negro, universitário, sarado (malho sim quando dá rs), supostamente másculo ( não sei, não tenho certeza, me avalia? rsrs), tenho 25 anos e quando era mais novo sempre ia pelas redes sociais e baladas em busca de carinhas brancos, novinhos, saradinhos e tbm másculos (sei lá pq… sinto tesão caramba). Na minha cabeça eu tinha preferências imutáveis, mas vi que na prática é bem diferente… No meio do caminho encontrei e fiquei com mulatos, brancos, amarelos, negros, baixos, magros, gordos, coroas… Alguns fizeram com que o cuspe, que eu havia lançado( e lançava constantemente), caísse bem em cheio na minha cara, assim como também fiz alguns mudarem de opinião quanto a um “pretinho”, pq eu me permiti e deixei que se permitissem.

Hoje tenho dúvidas se é certo e lógico, expressar preferências, apesar de continuar com as minhas (novinhos me aguardem rsrs), pois a maioria dos caras que eu fiquei até hoje não foram os tais novinhos, branquinhos e saradinhos… Não me arrependo em nenhum instante e ainda mais, tenho orgulho de ter ido além de minhas “pré-ferências”… Conheci muita gente bacana que poderia não ter conhecido por causa da pré-concepção de estereótipos que eu tinha e que constatei muitas vezes ser boba.

O que eu aprendi… Estar aberto a mais possibilidades e, por exemplo, a não colocar em um site de “caça” as minhas preferências, apenas me descrevo, pq na verdade eu nem sei se isso vai se concretizar um dia, fechar preferências PRA MIM passou a ser muito cruel comigo e com as outras pessoas ( ah… sou intocável, sou Deus agora, só podem me tocar se vc for evoluído o suficiente pra ser branquinho e saradinho… se você não for… nem chega perto… ha ha ha… ah Rodrigo deixa de ser babaca…), foi isso que eu pensei. Acho que faz parte do processo de amadurecimento, quando se gosta de alguém e acha bonito, interessante, pq tenho um bloqueio em ficar com ela? Aprendi e estou aprendendo a ir a fundo nos meus sentimentos, e não apenas a deixar de lado os sentimentos conflituosos que eu sinto, só pq é mais fácil…o pior é que infelizmente, eu acho que muita gente faz isso, deixa de lado o todos os caminhos difíceis e segue só pelo mais fáceis…

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Caio

Rodrigo, é completamente natural nós seres humanos termos preferências, sendo que nós homens temos a visão como sentido mais usado para essa finalidade, principalmente quando a intenção é sexo, somente. Não acho que devemos nos desvencilhar de nossas “preferências” só por causa dos exageros do politicamente correto, condizendo que são preconceitos, porque não são. E é muito comum termos um perfil ideal em nossas mentes (construído ao longo da vida, advindo de características biológicas e sociais) que chama a nossa atenção, o que não impede de vez ou outra desfocarmos um pouco dele. Mas isso representa apenas exceções.

Rodrigo R

*É importante deixar claro que o que está em voga são as preferência físicas e raciais( gordo, magro, branco, preto, amarelo…) e não as preferências, posições e fetiches sexuais ( jockstrape, bondace, DP, selvagem, cunete, voyeurismo ) que não tem o mesmo peso e não ferem da mesma forma as outras pessoas caso sejam mal expressadas…

Caio, concordo que é natural que todo homem desenvolva preferências, mas o que eu conclui refletindo, foi que as minhas preferências desenvolvidas( pelo maravilhoso meio social que vivemos… ah tah) estavam tbm EXCLUINDO outras possíveis preferências… E quando eu comecei a testar (experimentando cientificamente haha) as outras possíveis preferências…eu vi que poderiam existir possibilidades até melhores da que eu havia estipulado.

Bom, EU não consigo dividir a minha busca por um parceiro sexual, do seu perfil psicológico, não conseguiria sair com um cara( por mais novinho, saradinho e branquinho que ele fosse), se eu percebesse que ele tem má índole, não sei se estou sendo influenciado pelos “exageros do politicamente correto”, mas sinceramente excluo sem nem pensar duas vezes o cara que está mais preocupado em colocar os biótipos que ele não gosta, antes mesmo de se descrever e falar do que realmente gosta.Tah,tenha a suas “preferências”, mas espero que no mínimo as pessoas tenham educação com o próximo e aprendam a pelo menos como expressar isso de maneira educada até na internet, e não é bem isso que eu vejo…

Acredito que devamos nos questionar o máximo possível sobre os nossos “gostos” adquiridos “prematuramente”, e constantemente reavaliá-los no decorrer de nossas vidas ( eu por exemplo só iria comer hambúrguer e batata frita pelo resto de minha vida se não fizesse isso)…acredito que se não nos policiarmos poderemos cair num “egoísmo social”, e acabar nos fechando a diversas possibilidades, agora o “máximo possível” é diferente para cada um, e isso vai depender muito da vontade de querer se aventurar no novo… E outra, eu acredito que estar aberto ao novo e as novas possibilidades seja necessário para evoluir, agora se tem gente que não acredita e acha que ficar fechado no seu mundinho e ainda selecionando quem entra e sai dele só por conta de biótipo, legal, quem sou eu pra dizer que isso está errado…

Rodrigo R

O texto da matéria pode ter umas pitadas de exagero ( o que eu acho normal pra gerar uma boa polêmica haha), mas o que eu estou dizendo e concordando somente com outras palavras… são as mesmas coisas que o BRUNO disse ai em cima, o texto dele é BRILHANTE( olha eu puxando saco mais uma vez) e explica muito bem o que eu tbm acho.