Filme pornô gay causa polêmica ao mostrar fetiche por soropositivos

Filme pornô gay causa polêmica ao mostrar fetiche por soropositivos

Protagonista de 'Carga Viral' dá entrevista e diz que pornografia não é para educar. Será? Leia ao fim nossa opinião e dê a sua nos comentários

por James Cimino

O assunto já foi abordado aqui em nossa primeira reportagem exclusiva, “Além do Escândalo: o Mundo do Sexo sem Camisinha”, assinada pelo jornalista Bruno Machado, nosso colaborador. Mas agora a controvérsia acerca daqueles que têm fetiche por soropositivos ou pelo risco de serem contaminados pelo HIV ganhou mais um capítulo que envolve a indústria da pornografia.

Trata-se do filme “Carga Viral”. Você vai saber mais sobre ele no texto abaixo, escrito pela jornalista Tracy Clark-Flory e traduzido do site Salon, cujo título original é: “Quando o HIV é excitante.” Minha opinião está no fim da entrevista.

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Há um frasco de líquido branco. Nele estão escritas as palavras, “POZ CUM” (esperma soropositivo, em tradução livre). O conteúdo é despejado diretamente em um dos orifícios da estrela pornô Blue Bailey – um orifício que não é sua boca.

Esta cena do novo filme de Treasure Island Media , “Carga Viral”, está alimentando uma polêmica até mesmo na indústria pornô hétero, que tem sistematicamente abolido o uso de preservativo em suas produções. É a primeira vez que um filme pornô mostra declaradamente o HIV e o risco de transmissão do vírus.

O release do filme diz o seguinte: “Mansex é um vírus que usa os homens como seu hospedeiro. Alguns tentam resistir. Outros o adotam como fonte e significado de vida. Reproduzimos o vírus para passá-lo a cada anônimo aleatório que encontrarmos para foder. É assim que ele se reproduz.” Sobre os coadjuvantes de Bailey, o material de imprensa diz: “A maioria é de soropositivos, alguns são negativos, mas quem se importa?”

Um blogueiro da indústria do pornô, Mike Sul, escreveu sobre o novo filme com o seguinte título: “E você pensou que pornô hétero era sujo…” Outro post, do STR8UPGAYPORN opinou: “Treasure Island Media não é mais um estúdio de pornografia gay, não é? Agora, o seu modelo de negócio é 100% focado em propagação de doenças infecciosas.” Ele acrescentou que a empresa de produção “está no negócio de terror e morte (o que é uma coisa estranha de imaginar que pessoas usem para se masturbar)”, e comparou a produção a um “snuff film” (filmes que mostram mortes ou assassinatos reais de uma ou mais pessoas).

O caso é que Bailey é HIV positivo; ele não é um performer HIV negativo sendo exposto à ejaculação de um soropositivo. No entanto, é teoricamente possível que ele possa contrair uma superinfecção de outras formas de HIV resistentes à medicação que ele toma ou ainda outras doenças sexualmente transmissíveis entre as atividades que pratica em “Carga Viral”.

O que eu me perguntava era: se Bailey inventara este risco para o filme, a controvérsia em torno e fetichização do HIV (e talvez a atração pela ideia de – mesmo que não real – da transmissão do vírus). Telefonei para ele para descobrir.

O que você acha da polêmica sobre o filme?

Eu pedi para estar no vídeo. O frasco de esperma era a ideia deles, mas, para mim, não estava impondo qualquer risco para a minha saúde, porque eu sou HIV positivo e um frasco de esperma não ia mudar isso ou afetar a minha saúde de qualquer forma. Para mim, isso não parece ser uma controvérsia. Claro, houve sensacionalismo, mas não estava afetando minha saúde. Acho que Treasure Island pode ter deixado de mencionar o meu status de propósito para talvez “hypar” o filme.

Você tem qualquer preocupação em contrair qualquer outra DST?

Isso é sempre um risco ao se fazer sexo, então, em algum nível, há uma chance de que possa acontecer, mas eu faço exames com bastante frequência . Eu fui testado antes do filme e depois.

Algumas pessoas vão ficar escandalizadas ao descobrir que há pornografia que fetichiza o HIV. O que você diria a eles, como você explica isso?

Primeiro: o filme pode ter sido feito para um público que já está buscando isso e que já pode ser HIV- positivo e isso é apenas uma representação de como eles fazem sexo em sua vida cotidiana. Outro aspecto poderia ser que há pessoas que irão ver isso por serem HIV negativos e por gostarem de fantasiar sobre isso, se masturbar vendo isso, mas não necessariamente participar disso. Essa é uma forma para realizar uma fantasia sem realmente ter comportamentos de risco.

Blue-Bailey-Gay-Porn-Star

O ator pornô Blue Bailey

Eu certamente acho que eles deixaram de mencionar para as pessoas falarem disso.

Você sente que seus filmes devam ter alguma responsabilidade no sentido de dar um exemplo de sexo seguro?

Em primeiro lugar, eu não acho que a pornografia tenha de dar exemplos. Não é um vídeo educativo. Para mim, pessoalmente, como alguém que é abertamente HIV positivo, estou informado sobre minhas decisões, comunico a meu parceiro sobre o meu status e eu acho que nesse aspecto estou sendo responsável nas escolhas que eu faço.

Os estúdios em que trabalho, mesmo quando as pessoas não fazem exames e praticam sexo sem camisinha, falam com os atores sobre os riscos. Se rolar uma transa entre positivo e negativo, ambos estarão cientes; geralmente o ator positivo tem carga viral indetectável, o que reduz o risco de transmissão.

Você filma principalmente sem preservativos?

Eu faço os dois, mas eu diria que a maior parte do trabalho que eu faço é sem preservativos.

E você trabalha com modelos que são soronegativos?

Eu já trabalhei com HIV negativos, tanto com quanto sem camisinha.

O filme parece fetichizar o HIV, talvez até mesmo o risco de transmissão. Por que é sexy para alguns homens gays?

Essa é uma pergunta difícil, porque eu não quero falar em nome de todos. A única coisa que posso pensar é que, talvez, alguém que seja negativo se envolve em sexo sem proteção pelo medo da contaminação ou, talvez, eles já estão positivos, e o medo não está mais lá. Esse tipo de pensamento no entanto é um pouco desatualizado, porque hoje é possível fazer aquele tratamento pós exposição e continuar a fazer a mesma coisa sempre sem se proteger.

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Sem moralismos, acho que a ideia do sexo sem camisinha foi bastante demonizada após a Aids, mas sabemos todos, não sejamos hipócritas, que quase todo mundo prefere o sexo sem preservativo, NÃO APENAS OS GAYS. Filmes pornográficos heterossexuais cada vez mais têm produções em que o sexo sem proteção é o personagem principal. Também nunca se discute como e em que circunstâncias um casal pode abolir o uso da camisinha. É um discussão necessária, afinal, se todos transassem apenas com preservativo, não haveria mais bebês, até a igreja católica sabe disso.

Também sabemos que o sexo sem preservativo está cada vez mais comum entre os gays, que após o coquetel de medicamentos antirretrovirais pararam de ter medo de morrer de Aids. Em nosso último programa, (LADO BI N° 51 – SOROPOSITIVOS) discutimos como a vida com HIV não é assim tão simples, embora, isso é fato, poucas pessoas morrem de Aids hoje em dia. Mesmo assim, nos Estados Unidos, em minha última viagem, descobri que há a figura do “poz friendly” (um cara soronegativo que não liga de transar com soropositivos, com ou sem proteção). Sim, há o fetiche pelo risco e isso não envolve apenas o HIV. Muita gente curte transar em locais públicos, por exemplo, pelo mesmo motivo. O medo excita.

Sobre o filme, coloco aqui o link do trailer para que vocês avaliem. Confesso que fiquei muito excitado de ver as cenas de trepada. Até o momento em que aparece o pote de esperma contaminado. Achei totalmente broxante e mega nojento, mas antes que algum canalha de plantão venha dizer que nós gays somos promíscuos e escrotos, vale lembrar que, segundo a OMS, toda pessoa que teve mais de dois parceiros por ano é considerada promíscua. E quanto ao filme ser nojento, RECENTEMENTE VI UM FILME PORNÔ HETERO EM QUE DUAS ORIENTAIS TRANSAVAM COM UMA LULA VIVA (procure por “squidpussy” no Google). Pelo menos em “Carga Viral”, segundo o depoimento do Blue Bailey, todo mundo está ciente do que está fazendo.

Também concordo quando o ator diz que pornô não é para educar ninguém, embora é fato que muitos de nós tenhamos, em alguma medida, sido educados sexualmente pelos filmes pornográficos, conforme discutimos no LADO BI N° 22 – PORNOGRAFIA. Talvez por isso os filmes pornográficos devessem ter um aviso sobre os riscos que cada pessoa tem ao tentar imitar o que se passa ali. Alguns deles têm, mas ainda é pouco.

De qualquer modo, não deixa de ser corajoso retratar isso em um filme, pois sabemos que essas práticas existem e estão cada vez mais difundidas entre gays e héteros, com a diferença que nenhum filme hétero até agora falou do assunto abertamente.

Agora, você quer fazer sexo sem camisinha? Lembre-se que VOCÊ É O RESPONSÁVEL PELA SUA SAÚDE. Informe-se dos riscos. Temos quatro programas abordando o assunto: LADO BI N° 51 – SOROPOSITIVOS, LADO BI EXTRA – DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS, LADO BI N° 34 – CAMISINHA E LADO BI N° 8 – HIV

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17 comentários

Alex Tavares

Concordo plenamente com o João Marinho.
Não somente o público em geral não se informa ou é informado dos avanços nas pesquisas e estudos recentes, a própria classe médica regida por seu Conselho e MS, está impedida de divulgar já que grande parte da população já infectada nunca sequer fez algum teste para o Hiv e portanto, nem tem consciência que são portadores, sem contar os que sabem e possuem Carga Viral ainda detectável.
Opinar sem conhecimento causa desinformação.
O uso de preservativos é aconselhável quando sexo fácil é opção. Já quando se tem conhecimento neste mundo altamente conectado e inteligência para saber que um teste ou tratamento não mata e sim a falta deles.
O filme em si apenas narra um fetiche e não um conselho a ser seguido por incautos.

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Rafael

Como disseram na reportagem, a indústria de filmes (em geral) retrata a vida das pessoas… E é isso que gera audiência…
Muitas pessoas hoje não tem mais o medo da contaminação, porque imaginam que o tratamento vá “resolver” o problema… Mas esquecem (e o filme tb não conta, pelo visto) os efeitos colaterais do tratamento – e da própria vida problemática que os soropositivos enfrentam…

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Joao Marinho

Só para completar.

Em caso de parceria positivo-positivo, eu não recomendaria a abstenção de camisinha em casos em que os parceiros possuem esquema diferente por terem adquirido resistência medicamentosa.

Abs!

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Joao Marinho

Desculpem por eventuais erros de digitação. É “ano passado” e “já há” nas partes em que digitei rapido demais rs

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Joao Marinho

Eu penso que é preciso calma também para os que argumentam que o estudo PARTNER é preliminar.

De fato, os resultados são preliminares – mas estão longe de serem os únicos. A importância do PARTNER se insere sobretudo por ser um estudo que está pesquisando gays e héteros de igual maneira (há outro em curso na Austrália, apenas com gays).

Os resultados preliminares do estudo PARTNER, no entanto, foram divulgados na Conferência de Aids porque representam uma consistência com outros estudos prévios. Um deles, realizado com héteros na Espanha, já havia detectado que carga viral indetectável representa uma proteção para a transmissão do HIV, da ordem de 96%.

O Consenso Suíço, aprovado há alguns anos por este país, revisou a literatura sobre a questão e também vaticinou que carga viral indetectável em parceria monogâmica e ausência de outra DST com terapia eficaz representa risco remoto de transmissão do HIV.

É verdade que o estudo espanhol pesquisou casais héteros, mas, para os gays, já evidências clínicas. É o fato de a hipótese de a carga viral indetectável ser um fator protetor para a transmissão do HIV que está por trás das estratégias de oferecer medicamentos para todos os positivos independentemente da contagem de CD4, estratégia esta adotada em novembro… No Brasil, vejam só.

Isso porque, seguindo as fortes consistências dessa hipóteses, cidades americanas com altos índices de transmissão terem adotado a estratégia de tratamento universal para populações em alto risco de aquisição do vírus – como gays, e cito São Francisco como uma dessas cidades – e terem divulgado reduções nessas mesmas taxas, ainda ano passo (fonte: http://www.poz.com).

Em suma, até agora, não apenas os resultados preliminares do PARTNER, mas resultados de outros estudos prévios e os resultados de estratégias reais de políticas públicas têm mostrado que a carga indetectável é um fator protetor para conter ou diminuir as taxas de infecção. Evidências fortes o suficiente, por exemplo, para impactar toda uma mudança de política pública no Ministério da Saúde no Brasil, que inclusive cita essas evidências como um dos motivos para os médicos estimularem o início precoce da terapia ARV aos soropositivos (fonte: http://www.aids.gov.br – vocês podem baixar o novo Protocolo em PDF).

Sobre a transmissão positivo-positivo, é preciso detalhar que o principal problema concernente ao sexo sem preservativo é a transmissão de resistências prévias. No entanto, isso também não é tão simples como o comentário do Axiel levou a crer.

Em larga medida, a resistência medicamentosa do HIV surge por dificuldades na adesão do paciente ao tratamento, que pode ser causada por uma série de motivos, dos efeitos colaterais até a dificuldade de distribuição logística.

As resistências espontâneas surgem em cerca de 4,5% dos casos apenas (fontes: http://www.poz.com e http://www.aidsmed.com) e, causando o aumento da carga viral, minimizam ou eliminam o efeito protetor da carga indetectável, podendo então haver a troca de resistências.

É um risco minoritário que não deve ser desprezado, verdade. Mas indica um outro lado também: a hipótese consistente de que, havendo dois parceiros monogâmicos e positivos, na ausência de outra DST, com o uso do mesmo esquema medicamentoso e carga viral indetectável, há um efeito protetor de medida similar à relação sorodiscordante.

Primeiro, porque, como outros vírus, o HIV precisa de uma quantidade mínima de cópias para causar infecção ou reinfecção/superinfecção, e essa quantidade mínima já seria afetada pela carga viral indetectável. Segundo, porque mesmo na troca minoritária de vírus que eventualmente possa ocorrer, os dois parceiros, usando o mesmo esquema eficaz, o esquema protegeria a ambos das novas cópias visitantes (pois não há resistências a serem transmitidas).

A longo prazo, é possível que a troca possa causar mutações? É. Mas, a julgar pelos dados disponíveis atualmente, essas chances são remotas. Se o parceiro com carga indetectável não é apto a transmitir o HIV a um parceiro negativo que não possui qualquer proteção contra o próprio HIV, não parece factível que o mesmo parceiro indetectável se tornaria, de uma hora para a outra, potencialmente (re)infectante para outro parceiro positivo apenas porque o estado sorológico do segundo é outro (ainda mais se o segundo parceiro estiver em uso da mesma medicação eficaz, que lhe confere uma proteção que o negativo não possui).

Noves fora, isso significa o seguinte.

A camisinha e o sexo protegido devem continuar a fazer parte de todas as estratégias de saúde pública e devem continuar sendo parte de campanhas de conscientização sobretudo em sexo eventual, quando não é possível, a qualquer dos parceiros, ter acesso a essas informações sobre os outros.

Devem ser privilegiadas, também, as estratégias de sexo seguro entre parcerias concordantes e discordantes. NO ENTANTO, na hipótese de os parceiros decidirem por não adotarem essas estratégias, ser dado a eles não apenas o poder de decisão, mas também a forma de reduzirem os riscos de transmissão ou reinfecção ao mínimo, e isso significa informá-los corretamente dos benefícios da terapia ARV nesse sentido, ainda que mencionado o risco minoritário, remoto ou teórico presente, em vez de dizer que eles “não podem” fazer, porque um percentual que não chega a dois dígitos de risco pode eventualmente existir. A segunda opção leva inequivocadamente à adoção de estratégias próprias sem suporte médico.

Infelizmente, ainda há muitos profissionais da saúde que resistem a dar esses passos, sobretudo no Brasil, em que prevalece um senso paternalista de cuidado com o paciente.

Abs!

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Axiel

Observando todo o artigo e os comentários, creio que toda essa polemica gerada em torno do filme deve estar sendo adorada por seus produtores, não é? Eles querem que assistam, comprem, independente se aprovam ou não… Quanto ao comentario do Ricardo, o fato de uma pessoa saber que seu parceiro possui carga viral indetectavel pode ser uma boa forma de prevenção pra quem é soronegativo, porém se ambos são soropositivos isso pode representar perigo para saúde, pois o HIV é um VÍRUS! E vírus sofrem mutações, nesse caso pode haver um momento em que os remédios diminuam ou percam o efeito, e assim toda a teoria da carga indetectável ir por água abaixo.

Parabéns pelo post! Adoro o Blog!

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Ricardo Rocha Aguieiras

Não sou eu quem AFIRMA isso, mas um artigo escrito neste mesmo site, senhor Axiel! Eu apenas levantei questionamentos citando esse mesmo artigo daqui. Que eu li. Aqui. Soropositivos que se cuidam fazem exames segundo o protocolo do próprio Ministério da Saúde, à cada 3 meses. Aí têm condições de saberem de sua carga viral continua indetectável ou não. E, se não, podem trocar de esquema. O Problema nesse tipo de artigo daqui é sempre a polêmica. As pessoas não parecem realmente interessadas em informação, mas apenas no julgamento do outro e na política do medo, que tem, comprovadamente, alcance muito restrito na prevenção. Continuo afirmando apenas que, se for consensual e entre adultos, ninguém tem nada a ver com o que outros fazem. Mesmo por que esse tipo de postura nunca funcionou. Informar, sim. Julgar e impor, nunca!

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Caio

Sinceramente, isso é um fetiche depravado, pois poderá causar problemas as pessoas que o buscam realizar. A intenção dos adeptos provavelmente é quanto a ideia de poder se infectar no momento da transa, senão fariam o sexo com o hiv positivo, mas com preservativo, caso se interessassem apenas pela experiência do sexo em si.
Eu tenho pena dos atores pornôs que se submetem a essa situação, mas eles já são grandinhos o suficiente para discernir. Muitas vezes os exames médicos feitos são falsos ou inexistentes, aí complica. Mal sabem a dificuldade de levar a vida carregando o vírus, pois hoje acham que tudo está bem.

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Ricardo Rocha Aguieiras

Só uma coisa não foi discutida no seu longo artigo, mas já foi discutido aqui no LADO BI:
– Soropositivos COM CARGA VIRAL INDETECTÁVEL NÃO TRANSMITEM HIV. Ponto. Caso queiram confirmações, falem com cientístas e infectologistas realmente antenados sobre Aids/HIV. Isso já foi confirmado e é uma pena que, em nome de um moralismo e medo promíscuofóbico, não se permita a difusão de um saber médico, um avanço da ciência à qual todos e todas têm o direito, direito, inclusive, ao conhecimento.
http://www.ladobi.com/2014/03/estudo-partner-profilaxia/
O artigo publicado aqui em 18 de março de 2014, anterior a este, portanto, já falava isso. Então pergunto: E se Blue Bailey , bem como todo elenco do filme citado, estiverem indetectáveis? Qual o motivo de tanto escândalo? Ou ainda, seguindo outro estudo que foi sucesso mundial, o IPREX, que é um comprimido do medicamento Truvada por dia para prevenir o HIV? Ou seja, as coisas mudam, a ciência avança… Obrigado!

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James Cimino

To linkando isso no texto, Ricardo. Boa observação.

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Gabriel

Calma, calma, calma.

O PARTNER mostrou que nenhuma infecção foi detectada até aquele momento do estudo – o que não significa que isso não possa acontecer. Na verdade os resultados que foram publicados foram de resultados PRELIMINARES – o estudo termina somente em 2017. Por conta de estatística, o estudo pode afirmar até agora que a chance de transmissão ANUAL em casais sorodiscordantes é de 0 – 2% para sexo vaginal, de 0 – 2,5% para sexo anal receptivo e 0 – 4% para sexo anal receptivo com ejaculação. O estudo continua (e eles estão tentando aumentar a amostragem para tornar essas porcentagens mais aproximadas) e eles continuam o recrutamento para tornar o estudo mais acurado. Link aqui: http://www.aidsmap.com/No-one-with-an-undetectable-viral-load-gay-or-heterosexual-transmits-HIV-in-first-two-years-of-PARTNER-study/page/2832748/.

Truvada funciona, mas a redução verificada em quem estava aderente ao remédio (ou seja, tomava todo dia) é de 92% no IPREX (que é um ambiente super controlado de protocolo clínico e é bem diferente do que seria a vida real)

Risco nunca vai ser zero em nenhuma situação. Mas eu acho que esse tipo de informação é importante. Transar com alguém que está indetectável pode ser mais seguro que transar com alguém que diz que não tem HIV.

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Caio

Bom, e como foi bem dito pelo Ricardo, para os que têm a carga indetectável. E quanto as pessoas que nem sabem que têm o vírus no corpo? (trazendo o debate para a vida social e não só no mundo da pornografia), e aí? Fora que para ficar indetectável é preciso fazer um tratamento disciplinar e que pode apresentar reações nada agradáveis. Têm infectados que consomem muitos comprimidos por dia.

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Ricardo Rocha Aguieiras

Bom, viver é uma risco. viver mata. E o corpo é um direito inalienável do indivíduo. Sendo adulto e consensual, é problema deles, não meu. Essa tem sido a minha luta de anos: que tu tenhas teu corpo! Mas entendem errado, usam da moral para desqualificar meus posicionamentos sobre, se eu estivesse interessado em sexo sem preservativo, não me exporia tanto. O que me interessa são as relações de poder que há no discurso médico. Medicina preventiva tem o DEVER de informar, NUNCA o de impor. Essa é a minha questão e em tudo, não apenas em sexo. Se o cara bem informado, com colesterol alto, por exemplo, resolve se entupir de torresmo e bolacha recheada, problema dele e só dele. o Estado não tem que legislar sobre os corpos e nem a medicina se comportar como um deus.

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