Então quer dizer que tudo virou homofobia?

Artigo diz que críticas ao grupo Bonde das Bonecas é de fundo homofóbico. Eu diria que é de fundo musical mesmo...

por James Cimino

Já ouviram falar de Steve Grand? Então, esse cara é um cantor country americano que (uau!) se assumiu gay no começo da carreira. O cara é gato, ombros largos, cara de rico, bem nascido, piá de prédio, como se diz em Curitiba. Enfim, tá recebendo maior apoio nas redes sociais e todo aquele blá, blá, blá que tem quando alguém sai do armário.

Aí o site “Aliança Jovem” fez um texto falando que achou muito legal o apoio que o cara recebeu, mas questionando por que o mesmo não acontece com o grupo Bonde das Bonecas, que tem recebido críticas e xingamentos por causa do vídeo que mostra cinco bis pobres, pintosas e femininas imitando o não menos deprimente “Quadradinho de 8”.

A tese do autor do texto é a de que a bi pobre, feia, negra e feminina é sempre vítima de preconceito, inclusive de outros gays. E que o Steve Grand só tá sendo aplaudido porque é bonito, rico e masculino.

Eu concordo em partes. Acho que isso que o cara do “Aliança Jovem” diz é muito verdade, mas não acho que o Bonde das Bonecas esteja sendo criticado só por isso.

Eu, por exemplo, acho o Bonde das Bonecas tão uó quanto acho a Gaiola das Popozudas. E isso nada tem a ver com a aparência delas nem mesmo com a classe social ou com seu gestual efeminado. Tem a ver com a péssima escolha musical e, especialmente, pelo arremedo de uma cultura que eu já considero vulgar, barulhenta e desprezível no mundo hetero.

Agora, não acho que as bis do Bonde estejam sendo apenas criticadas não. Elas estão sendo festejadas pelo sádicos de plantão. Já foram em tudo que é programa de TV, inclusive o “Esquenta”, que adora promover qualquer porcaria em nome do politicamente correto quando, no fundo, apenas mantém o negro pobre e a bi pobre naquele lugar social folclórico.

E não adianta. Nada me tira da cabeça que as pessoas que dizem “adorar” o Bonde das Bonecas gostam mesmo é de ver as bis das classes menos favorecidas sendo motivo de escárnio público. Eu não rio, mas também não vou aplaudir só pra pagar de bom samaritano. Sorry…

E sobre o Steve Grand? Achei um montão de merda coberto de verniz heteronormativo.

Então, vamos limpar nossa cabeça com um Arcade Fire novinho em folha?

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4 comentários

Adrian

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Rio alto desses tolos que pagam de militantes na internet, mas na vida real são mais homofóbicos que aqueles que o criticam. Talvez esses tolinhos sejam bibas encubadas (quem sabe?). Quanto ao foco da matéria, ouvi a música do Steve Grand e gostei, o bonde nem tem como esquecer, pois os meios midiáricos esfregam essas porcarias na nossa cara e tentam nos fazer engolir a qualquer custo (e o pior é que algumas pessoas engolem). Tá certo que cada um tem seu gosto e, musicalmente falando, o bonde das bonecas é de um gosto terrivelmente ruim.

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lucas

nunca li um juízo de valor tão mesquinho quanto este.
o funk e a CULTURA da favela só existem por causa de grupos como gang das bonecas, gaiola das popozudas, etc. a teoria do aliança jovem está mais do que certa, pois o preconceito contra o grupo rola justamente por causa disso mesmo: eles só são ridicularizados pois existem pessoas que julgam um arcade fire, por exemplo (que eu não curto, por sinal) alguma coisa melhor que gang das bonecas. e só por que a banda está inserida em um circuito estrangeiro/indie/hipster ela realmente é melhor que as outras, inclusive musicalmente? existe uma diferença entre gostar e repudiar.
tudo aqui nesse post está se referindo a gosto pessoal, o que, pra um blog que luta contra a homofobia é preocupante, pois justamente o que justifica o preconceito é isso: o gosto pessoal.
lutar contra a homofobia é justamente deixar seus preceitos ”morais” e ”éticos” do que é vulgar ou não de lado. o que você chama de ”vulgar” nesse post, é justamente o que toda uma massa de pessoas lá fora julga, só que do movimento gay.

é triste ver que um blog que deveria lutar contra preconceitos como esse tenha se reduzido à isto. uma pena mesmo.

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Marina

Lucas, acho que você se confundiu um pouco. O site Aliança Jovem (nem li) parece afirmar que o grupo sofer preconceito apenas por ser formado por gays de classe menos favorecida e que fogem ao padrão de beleza. O blog aqui, discorda disso e diz que o problema não é a homofobia, mas sim o preconceito contra funk, e depois deu sua opinião sobre funk, que não foi feliz.

Agora, vamos pensar um pouco, você reclama de quem escrever colocar sua opinião pessoal, quando tudo é baseado em opinião (falar que é pessoal é até redundância), algumas palavras e recomendações poderiam ter sido evitadas, mas não foram e daí? Eu descobri o blog hoje, já li umas 10 matérias e sinceramente, todas tem um grande toque de opinião de quem escreve, a diferença é que essa é a primeira que você discorda. Mas normal achar que não seja preocupante enquanto alguém está omitindo uma opinião que você concorda.

Anyway, a sua critica eu concordo, a forma que você resolveu fazê-la, não. Igual a esse texto do blog. Mas então, será mesmo que tudo é preconceito? Dar opinião é conceituar, então como se faz para falar de algo que não gosta sem expor sua opinião e ser tachado de preconceituoso?

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James Cimino

Então, Marina, o que eu disse foi que eu concordo que gays negros e de comunidades pobres sofrem sim preconceito, mas que o caso do Bonde das Bonecas é outro. Primeiro que elas estão sendo festejadas pelos sádicos que adoram ver os negros pobres no lugar folclórico de negro pobre. E que, no meu caso, o que me incomoda nelas é o funk. E o arremedo de algo que considero um lixo cultural inclusive na cultura hetero. Funk me dá bad trip. E não, não gosto do Arcade Fire só pq ele está no circuito hipster, gosto porque a música que eles fazem é boa e bem tocada, assim como gosto de Criollo, não apenas pq ele é negro e da comunidade pobre, mas porque a música que ele faz é universal e toca a qualquer pessoa independente de classe social. Fica cantando que a porra da buceta é minha é muito fácil, barato e vulgar, agora ir lá e juntar voz com melodia e letra que esmaga seu coração como “Não Existe Amor em SP” não é pra qualquer funkeira. E tenho dito. E obrigado por entender que blogs são opinativos por natureza. 🙂

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