Em apoio a gays, Cher se recusa a abrir Jogos de Sochi na Rússia

Em entrevista à revista "Macleans", a diva fala do novo disco, do filho trans e sobre Madonna e Gaga

por Marcio Caparica

O ranking das divas em 2013 está disputadíssimo. Como a gente comenta animadamente no Lado Bi das Divas, até o fim do ano teremos lançamentos de Cher, Britney Spears, Demi Lovato, Lady Gaga, Madonna e Katy Perry. E Cher, bem, ela está aí desde o tempo dos dinossauros, como disse o Phelipe Cruz no programa. Ela foi a primeira a trazer drag queens para os palcos, tem um filho trans, e já consolou muitos de nós ao dizer que temos que acreditar que há vida depois do amor. E como diva não se vende, ela revelou em entrevista recente à revista canadense Macleans que recusou o convite para abrir o show da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi por conta da maneira que o governo russo está tratando os gays. Confira os principais trechos da entrevista:

É mais fácil para um homem retornar para o show business que uma mulher?

Eu acho que tudo é mais fácil para os homens nessa indústria – principalmente retornar.

Houve uma mudança muito grande no que se refere a afastamentos e retornos. Nem parece que a Lady Gaga ficou dois anos sem lançar disco – ela estava sempre nas manchetes. Esse ritmo intenso prejudica o artista?

A indústria mudou muito. Ninguém sabe como é que ela vai evoluir, mas a Gaga tem uma ideia bem definida sobre si mesma e a segue. Madonna também era assim. A Madonna dizia e fazia o que queria, quando queria e sempre esteve à frente da curva. Sempre. Ela sabe mais sobre o que vai ser sucesso no futuro que qualquer outro.

A Sade uma vez me disse que achava que a Lady Gaga mais genuína que a Madonna jamais foi.

Madonna era genuína para sua época. Pessoas como Madonna e eu abriram o caminho para as mulheres que vieram depois de nós.

O que você acha sobre o que está acontecendo agora na Rússia?

Eu não posso dar nomes, mas um amigo meu que é um oligarca poderoso lá me ligou e me pediu para ser embaixadora para os Jogos Olímpicos e fazer o show de abertura. Eu imediatamente recusei. Eu queria saber a razão de todo esse ódio contra os gays ter explodido por lá. Ele me disse que os russos não pensam da mesma maneira que o governo russo.

Você é a única mãe celebridade que fala abertamente sobre ter um filho trans.

Quando o Chaz me contou pela primeira vez que ela ia fazer isso – pronome errado, quando ele me contou – e o processo teve início, eu estava morrendo de medo. Uma vez eu liguei para o Chaz e ele tinha esquecido de mudar a mensagem da secretária eletrônica e eu ouvi sua voz antiga. Isso me deixou um pouco abalada. Estas são pequenas mudanças que uma mãe nunca esquece. É o último tabu. Houve um tempo em que isso era contra a lei. Graças a Deus nós já evoluímos tanto.

Muitas artistas jovens como Taylor Swift não querem mais se identificar como feministas. Por quê? 

Qual é a conotação negativa do feminismo? Quando as mulheres tiverem pleno controle de seus corpos, quando as mulheres ganharem exatamente os mesmos salários que os homens, quando tudo que acontece para um homem acontecer para uma mulher, eu vou poder parar de me chamar de feminista.

Você colaborou com a Lady Gaga. A versão que vazou dessa música soa ótima. Por que ela não a lançou?

Ela é uma artista e eu respeito isso. Eu amei a música; eu fiquei decepcionada, mas superei. E essa que está circulando por aí nem é a versão correta.

Por que você decidiu trabalhar com a Pink?

Eu lembro de chorar até soluçar quando eu ouvi aquela canção dela, “Mr. President”, e pensar que nós estávamos super alinhadas. Aquela canção me deixou arrasada.

Suas novas canções “Take It Like A Man” e “Dressed to Kill” são as músicas mais bicha que você já gravou?

Elas estão no pódio, mas foram superdivertidas de gravar. Elas levam as drag queens ao orgasmo.

Você foi a primeira a levar as drag queens às multidões. Você convocou J.C. Gaynor e Kenny Sasha para se apresentarem com você no Caesar’s Palace em 1979. Você estava preocupada que o público ia ficar chocado?

A plateia na verdade pensou que as drags eram a Diana Ross e a Bette Middler – eles não faziam ideia. A gente pediu para a Diana e a Bette gravarem suas vozes para o primeiro número do show, mas eu não achei que enganaria ninguém. Eu nunca tive medo de assumir esse tipo de risco.

É mais difícil ser uma mulher com mais de 40 anos em Hollywood hoje que há 20 anos?

Envelhecer em Hollywood sempre foi difícil. Homens podem envelhecer nessa profissão mas as mulheres não. Eu sempre quis ficar bonita e em forma e eu não quero mudar.

Você recusa muitos roteiros?

Eu não recebo um roteiro sequer que me agrade. Não me chegam muitos. Eu fiquei muito frustrada com Burlesque – podia ter sido um filme tão melhor.

Está na cara que você vai escrever um livro, e esse livro vai virar filme. Quem interpretaria o seu papel?

Eu rezo muito para que isso aconteça um dia, mas ninguém vai interpretar direito. Quem seria capaz de fazer o meu papel? Essa é a única razão pela qual eu vou escrever uma autobiografia, porque alguém vai tentar escrever e não vai conseguir entender pelo que eu passei. Não mesmo. Ninguém mais estava lá. Eu estou colaborando com esse musical na Broadway que vai ser lançado porque eles não imaginam o que acontecia entre eu e o Sonny.

Saiba mais também sobre o que acontece na Rússia no Lado Bi da Rússia.

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3 comentários

Fundador do Grindr diz que app ajuda a combater homofobia - Lado Bi

[…] “Há pouco tempo nós fomos banidos na Turquia”, lembra Simkhai. “Sem recebermos qualquer explicação quanto ao motivo. Do meu ponto de vista, 60 anos atrás as pessoas queimavam livros. O que os governos fazem hoje é cortar o acesso à comunicação. Eu estou preocupado com os homens gays na Turquia. E também muito preocupado com homens e mulheres homossexuais na Rússia.” […]

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Robson

Adorei o que ela disse a respeito do feminismo. Infelizmente há uma conotação negativa em torno de sua ideologia, que nada mais é do que a ideia de que mulheres também são seres humanos e, por isso, merecem os MESMOS DIREITOS que nós homens. E isto não somente beneficia mulheres, como homens também – gays, principalmente.

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